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Investimento em ações

Desafio Ações - Maio

by Fabricio on May 3, 2008

Estou lançando um desafio neste mês de maio. O objetivo é todos aprendermos uns com os outros e melhorarmos nossos métodos de seleção de ações.

Por enquanto este é um desafio informal. A premiação será o aprendizado que teremos ao analisar as diferentes idéias e metodologias utilizadas pelos participantes. Quem sabe no futuro não apareça um patrocinador que proporcione alguma premiação ao vencedor do mês?

O desafio

Escolha uma ação que você ache que terá o maior ganho percentual do preço de abertura no dia 2 de maio até o preço de fechamento do dia 30 de maio. No caso de ações duplicadas, quem escolheu a ação primeiro será considerado o vencedor, então é melhor não escolher ações que já foram selecionadas por outros participantes.

Como participar

Use os comentários deste artigo (abaixo) para dizer qual a ação que você escolheu. Se possível, explique os motivos que o levaram a escolher tal ação.

Regras

A empresa deve ter um valor de mercado mínimo de 50 milhões de reais no dia primeiro de maio de 2008.

O preço mínimo da ação deve ser de R$ 5 no dia primeiro de maio de 2008.

Cada participante só pode escolher uma ação.

Somente serão aceitas as ações escolhidas até dia 11 de maio. O vencedor será anunciado depois do dia 31 neste blog.

Prêmios

Por enquanto, apenas a fama de ter sido o melhor e a divulgação no site. No futuro, quem sabe? Um ótimo emprego em uma corretora de valores, talvez?

Minha escolha

LAME4

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Investimento em imóveis usando consórcios.

by Fabricio on September 27, 2007

Hoje uma leitora do Informativo Moeda Corrente me fez uma pergunta relacionada a algo que escrevi ano passado sobre investimento em ações. Ao responde-la, acabei descrevendo em detalhes meu sistema pessoal de investimento em imóveis utilizando consórcios.

Continue lendo para saber todos os detalhes.

Olá Fabrício, tudo bom?

Me lembrei de um texto que vc escreveu no Moeda Corrente, no ano passado, sobre o nível “irrealista” da Bolsa. Se não me engano vc dizia que voltaria a investir quando o Ibovespa estivesse de volta a uns 30 mil pontos. Daí a pergunta: o que vc está achando destas sucessivas quebras do record em pontos? Continua irreal?

Um abraço,
Maria Alice
(Rio de Janeiro. Já conversamos há tempos sobre Pai Rico, Pai Pobre)

…..Minha resposta foi bem mais longa. Escrevi diversos parágrafos falando das diferenças entre investir e especular, que especular pode dar muito lucro mas não é adequado ao meu perfil, que gosto de investimentos simples e automáticos, que funcionem sempre da mesma forma. Mas cortei-os aqui para manter o foco…..

E passamos para meu perfil de investimento. Quero que meu dinheiro cresça a um ritmo bom e constante. Mas não espero que ele duplique de um ano para outro. Em contrapartida, também não corro o risco de que ele diminua. Ganho com a mágica dos juros compostos, então o tempo está a meu favor. E uso estratégias criativas para fazer com que ele cresça mais rápido, porém de forma garantida.

Saindo da teoria e passando para a prática, depois de anos aperfeiçoando minha estratégia, ela atualmente é a seguinte:

1. Meu dinheiro fica aplicado em renda fixa. Tudo que ganho a mais do que o necessário para meus gastos básicos, conforto e pequenos luxos, vai atualmente para fundos de renda fixa. Meus gastos incluem viagens de férias, troca do carro e pequenos confortos como jantar fora, assistir uma peça de teatro, ir ao cinema… Não vivo apertado, mas também não exagero. Vivo bem, com conforto e alguns luxos eventuais.

2. Tenho diversas cartas de consórcio que pago com o dinheiro que está nos fundos de renda fixa. Na verdade, antes de aplicar o dinheiro que sobra no mês, uso ele para pagar esses consórcios. Se o que ganho extra no mês não é suficiente para cobrir todos os pagamentos dos consórcios, aí sim uso parte do que tenho em renda fixa. Atualmente pouco mais da metade das minhas cartas de consórcio são pagas com o dinheiro da renda fixa enquanto as restantes são pagas com o que ganho mensalmente acima do meu custo de vida.

3. Quando uma carta contempla, compro um imóvel já alugado. O aluguel deste imóvel paga a prestação da carta que o comprou. Com isso, o imóvel me custa apenas uma fração do valor real (a parte do consórcio que já estava paga). Compro sala comercial já alugada, pois os valores de aluguel são maiores, proporcionalmente ao valor do imóvel do que apartamentos pequenos. As cartas que tenho atualmente tem uma prestação equivalente a 0,86% do valor do crédito. Como os imóveis que procuro rendem por volta de 0,9% a 1,3% do valor, o aluguel ainda me rende mais dinheiro do que o custo da prestação. Esse tipo de imóvel não é tão fácil de achar, mas também não é tão difícil. O segredo está em conversar com diversos corretores até encontrar um que entenda nossos objetivos.

4. Faço uma nova carta de consórcio com o dinheiro que usava para pagar a que acaba de ser contemplada (que agora é paga pelo aluguel do imóvel que ela me permitiu comprar).

5. Volto ao passo 3.

Pode acontecer de uma sala ficar sem inquilino por um tempo, mas isso é pouco provável, porque procuro comprar salas que já estejam alugadas a um bom tempo. Salas pequenas em bairros que possuem boa procura. Caso isso aconteça, tenho uma pequena reserva em renda fixa para cobrir os custos por um tempo.

Dá para notar pela descrição acima que meu plano é extremamente simples. Chato. Automático. É impossível perder dinheiro.

Daqui a 12 anos terei pelo menos 12 imóveis quitados que me custaram no máximo 50% do valor deles. Se não usasse o consórcio, teria no máximo 6 imóveis. Mas na prática, terei bem mais que isso, porque quando contemplo uma carta e compro um imóvel, volto a fazer uma nova carta. Então acertando o cálculo, ao invés de 6 que teria sem usar os consórcios, em 12 anos terei 18 imóveis. Além disso uso outras estratégias (lance fixo, negócios em sociedade com amigos) para alavancar mais ainda isso tudo.E 12 anos passam rápido. Por exemplo, já fazem 11 anos que me formei. E parece que foi ontem.

Então dadas as explicações acima, pouco me interessa o que acontece com a Bolsa. Tenho um plano mais seguro, mais simples e que rende muito mais, de forma consistente, sem sobresaltos.

Se me perguntam o que fazer para começar, a resposta é “dar o primeiro passo”. Essa é a coisa mais importante que existe. Nada substitui a ação. As pessoas desejam muito, sonham muito, pensam muito, planejam muito, mas ajem pouco. Os passos necessários são:

  1. Conseguir separar pelo menos R$ 300 mensais para investir. (Valor da prestação de um consórcio de 35.000)
  2. Adquirir um consórcio.
  3. Ao contemplar, comprar um imóvel alugado que pague a prestação.
  4. Adquirir um novo consórcio.
  5. Voltar ao passo 3.

Dependendo da sobra mensal, dá para multiplicar a quantidade de cartas e com isso acelerar o processo. Foi o que eu fiz, começando com 4 cartas simultâneas (hoje tenho 12, comecei em 2002 com uma estratégia diferente).

Dá para implementar isso de diferentes formas. Eu só faço com consórcios da Rodobens por diversos motivos já explicados em outros artigos. E como eu explico isso tudo sem cobrar nada, uma gentileza bem vinda de quem quer ganhar dinheiro com isso é adquirir seus consórcios através da minha empresa Megacombo, que é representante dos consórcios Rodobens em Porto Alegre, mas atende em todo o Brasil, com clientes em praticamente todos os estados do país.

Outra vantagem de fazer com a Megacombo é poder contar com a minha assessoria em todas as etapas do processo, além de fazer parte de um grande grupo de investidores em imóveis. No futuro, pretendo organizar encontros em diversas cidades onde as pessoas poderão discutir novas estratégias e conhecer possíveis parceiros para grandes investimentos em grupo.

Tenho ainda duas melhorias a implementar neste plano todo, mas não vou descrevê-las aqui. Vou apenas aguçar a curiosidade dizendo que tendo um capital razoável para começar (uns 100.000 é o suficiente) dá para ganhar ainda mais, de forma bem mais rápida.

Lembre disso: tudo depende da ação.

“Água parada não move moinho.”

A decisão é sua, a informação está aqui.

Um grande abraço e bons investimentos.

Fabricio Stefani Peruzzo.

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Onde investir seu dinheiro

by Fabricio on January 21, 2007

Existem diversas alternativas para investir seu dinheiro. Algumas são mais arriscadas, outras menos. Neste artigo vamos “conversar” sobre as formas mais difundidas de investimento e o que faz com que as pessoas e instituições prefiram umas ou outras.

Um segundo objetivo que temos neste artigo é desmistificar um pouco as diferenças que existem entre os investimentos nos Estados Unidos e Europa em relação aos mesmos investimentos no Brasil.

Títulos do Governo

São os famosos títulos de renda fixa. Podemos investir neles diretamente, através do Tesouro Direto, ou da forma mais comum, através dos diversos fundos administrados pelos bancos. Esses títulos são garantidos pelo governo, e possuem ligação direta com a taxa de juros atribuída por ele.

Renda Fixa X Imóveis

Enquanto no Brasil a taxa de juros é altíssima, nos EUA e Europa ela é muito menor. Esse é um dos motivos por que os investimentos em imóveis são muito comuns lá e menos comuns aqui. Enquanto aqui o investimento em imóveis rende aproximadamente 8% ao ano, o investimento em um fundo de renda fixa medíocre rende mais de 12%. São 50% a mais de rendimento anual. Porque alguém investiria em imóveis?

Já nos Estados Unidos e Europa, com taxas de juros de pouco mais que 4% ao ano, o investimento em imóveis, com os mesmos 8%, passa a ser uma alternativa excelente. É por esse motivo que grande parte dos bancos europeus é proprietário de muitos imóveis. É um excelente investimento. Simples assim.

Bolsa de Valores

Já a Bolsa de Valores, é o local onde investimos em empresas. Escolhemos as ações em que investiremos baseados em nossa percepção de valor sobre determinada empresa. Assim, se acreditamos que uma empresa vai crescer bastante, investimos nela de forma a obter um retorno maior que o obtido em outras alternativas, como os imóveis e renda fixa.

Uma empresa pode dar retorno de diversas formas. As duas mais comuns são através da distribuição de dividendos e através da venda das ações.

Distribuição de Lucros

Se investimos R$ 1000 em uma empresa (através da compra de suas ações) e no final do ano essa empresa distribui R$ 100 de lucro, tivemos um rendimento de 10% ao ano. Se as ações da empresa continuam valendo o mesmo que valiam quando as adquirimos, este é o rendimento total que tivemos sobre o nosso investimento.

Venda de Ações

Por outro lado, se com o mesmo investimento de R$ 1000 a empresa terminar o ano com nossas ações valendo R$ 1200, então ao vender essas ações teremos ganho 20% somente com a valorização da própria empresa. Claro que temos que tomar cuidado com a empresa que escolhemos para investir porque existem diversos motivos que podem levar a empresa a valer menos do que pagamos por ela depois de um tempo. Podemos efetivamente perder boa parte do nosso dinheiro se não formos cuidadosos nessa escolha.

Algumas conclusoes

O melhor lugar para investir nosso dinheiro depende de diversos fatores. Um deles é o grau de risco que estamos dispostos a correr, outro é o rendimento que esperamos obter e um terceiro, geralmente esquecido pelos investidores novatos, é o mercado em que estamos atuando.

Temos que levar em conta tudo isso antes de jogar nosso dinheiro ganho com tanto esforço em um investimento qualquer. A única forma de fazer isso com total consciência é através do estudo constante.

Bons investimentos.

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Análise Fundamentalista para receber Dividendos

by Fabricio on February 22, 2006

Ontem me perguntaram sobre como escolho que ações comprar e como geralmente acontece quando alguém me pergunta algo resolvi escrever uma resposta relativamente completa. Segue então uma descrição mais ou menos realista da minha forma de investir em ações, levando em conta que atualmente não possuo ações de nenhuma empresa nos meus investimentos.

Minha abordagem de investimento é baseada no longo prazo, com uma carteira variada de ações de diversos setores, utilizando a análise fundamentalista. Me interessa a empresa e seus números, não o que o mercado acha dela. Meu guru é Warren Buffet. Levando em conta que ele é o segundo homem mais rico do mundo, acho que posso acreditar ser uma boa escolha a forma de investimento defendida por ele. Não tenho o poder que ele tem, de comprar empresas inteiras. Isso me leva a fazer algumas escolhas diferentes das que ele faria. Ele investe em empresas de bons fundamentos e não está interessado em que dividendos essas empresas pagam. Para ele, se essas empresas não pagarem dividendo algum é ótimo. Desde que, é claro, não paguem dividendos porque saibam como reinvestir os lucros de forma a fazer esses se tornarem cada vez maiores.

Minha primeira meta é conseguir pelo menos 10% de rendimento anual sobre meu investimento. Esse rendimento tem que ser na forma de renda, não de valorização. Por exemplo: se for comprar R$ 5.000 em ações de uma empresa e no período de um ano a distribuição de lucros render pelo menos R$ 500, a ação está na minha lista. Com os valores cobrados hoje pelas ações isso está bem difícil de se conseguir. Mas deve existir alguma, temos que estar sempre procurando e analisando os relatórios.

Dá para notar acima que não me interesso muito se o valor da ação aumentou ou diminuiu ao longo do ano. Claro que isso interessa, mas o mais importante para mim é saber se vou receber meus rendimentos e que eles sejam pelo menos de 10% anuais. Mas como é de se esperar, além disso a ação não pode perder muito valor, porque tenho que garantir também o meu capital investido. Isso não é muito difícil no meu caso, porque procuro comprar somente ações subvalorizadas. Se não acho nenhuma que se encaixe nas minhas necessidades, simplesmente fico fora do mercado. Sou eu que decido quando ir às compras, não o mercado.

Olhando os relatórios financeiros das empresas, todas elas listam o quanto pagaram de dividendos por ação, no ano fiscal. Então é questão de bater esse valor com a cotação da ação da empresa no mercado. E verificar ainda essas informações todas referentes aos anos anteriores, para saber se isso é regra ou excessão.

Alguns exemplos:

No relatório mensal de fevereiro a Fator Corretora lista as seguintes ações como boas pagadoras de dividendos:

GETI4 12,3%
TLPP4 11,6%
TMAR5 10,8%
CRUZ3 8,7%
SBSP3 6%

Todos os valores acima são projeções, baseadas no valor atual da ação e o dividendo pago em relação ao preço projetado da ação daqui a um ano. Os valores efetivos de pagamento de dividendos do ano anterior são pouco mais de 6% para as três primeiras empresas, menos de 3% para a CRUZ3 e 11% para a SBSP3.

Como dá para notar, olhando os valores efetivos e não as projeções, todas estão muito caras em relação ao meu objetivo de ganhar pelo menos os 10% de dividendos. Minha estratégia atual é não comprar ações até a correção do mercado. Que na minha opinião, tem que ser lá pelos 18.000 pontos. Mas devo refazer minha análise nos 32.000, 28.000 e 24.000. Quando os números baterem, volto ao mercado.

Não gosto de jogar. Nem na Megasena que é baratinha eu costumo jogar. Então essa dança das cadeiras que é o mercado a curto prazo simplesmente não me atrai.

Não gosto de perder tempo. Passar o dia acompanhando ações na tela do computador não é meu esporte favorito. Gosto de negócios desafiantes que precisem de um esforço e análise inicial, mas que depois possam ser mantidos em andamento por pessoas que simplesmente obedeçam ordens e sigam procedimentos. Gosto de descobrir quais são as ordens e procedimentos que geram o resultado esperado. Gosto de descrever isso e treinar as pessoas para executar essas tarefas. E depois, gosto de simplesmente sair de perto e deixar o dinheiro fluir sem eu precisar ficar trabalhando o dia todo.

Sei que tem gente que gosta de aventuras nos investimentos em ações, mas para mim o objetivo é claro: não perder tempo.

O dinheiro tem que trabalhar para mim, não o contrário.

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Por Fernanda de Lima. Publicado originalmente no site InfoMoney.

Com 75 anos de idade e um patrimônio de US$ 43 bilhões, Warren Buffett é, sem dúvida, um investidor da “velha guarda”. Avesso à tecnologia, como ele mesmo afirma, Buffett estima que, desd e 1955, tenha obtido um retorno médio anual de 31% em sua carteira de ações. Para quem não se impressionou com a afirmação, vale lembrar que isso equivale a quase três vezes o resultado obtido pelo índice S&P 500, que no mesmo período foi de 11%.

Não importa se você concorda, ou não, com o estilo do segundo homem mais rico do mundo, atrás apenas de Bill Gates, uma coisa é certa: não dá para ignorar que sua estratégia de investimento foi, ao menos até o momento, muito bem sucedida. Assim, selecionamos algumas das principais dicas de Buffett para quem pensa em investir no mercado de ações.

Ignore o mercado, ele não instrui

Uma das afirmações mais conhecidas de Buffett é de que o investidor não deve considerar o mercado ao tomar suas decisões, mas, ao contrário, deve ignorá-lo. Na prática isso significa que o desempenho do mercado não está tentando lhe dizer alguma coisa, o que diz se você está certo ou errado são os resultados da empresa.

Nesse senti do, Buffett recomenda que, ao aplicar o seu dinheiro o mercado de ações, o investidor opte por empresas com histórico de boa rentabilidade e com uma presença marcante de mercado. Contudo, ele lembra que o correto não é analisar o retorno anual, mas sim o retorno médio ao longo de um período de pelo menos 5 anos.

Aliás, esse é um dos vários pontos em que - para usar a sua própria terminologia, Buffett “come o que faz”, já que é conhecido por tomar decisões de investimento sozinho, sem recorrer à ajuda de consultores ou à análise detalhada de inúmeros relatórios. Em sua opinião, essa é a única forma de se manter “racional” como investidor e, portanto, ganhar dinheiro em um mercado dominado por investidores irracionais.

Buffet completa afirmando que o maior inimigo do investidor racional é o otimismo. Exatamente por isso ele recomenda aos investidores cautela quando o resto do mercado está ganancioso, mas defende que sejam gananciosos, quando o resto do mercado está temeroso.

Não se esqueça do que é uma ação

Por mais que a maioria dos investidores saiba que uma ação nada mais é do que parte de uma empresa, Buffet acredita que, na hora de investir, muitos não pensem da mesma forma. Ele justifica sua percepção afirmando que, ao invés de refletir sobre a escolha das ações, a maioria dos investidores procura entender o momento correto de investir, quando já sabemos que é a escolha das ações corretas que garante 90% do retorno de uma carteira de investimentos.

Assim, Buffett propõe que pensemos no seguinte: e se, por alguma razão qualquer a bolsa de valores ficar fechada por três anos? Se, mesmo sob esse cenário você estiver satisfeito de manter a ação, então provavelmente você está satisfeito com a empresa. O que está em jogo, portanto, não é o prazo durante o qual você irá manter o investimento, essa é uma outra discussão, mas sim se você acredita que no longo prazo esse seria um bom investimento.

Desta forma , nunca se deve investir em empresas que não se conhece. Pois, como ele mesmo afirma: “o maior risco que o investidor enfrenta é o de não saber o que está fazendo”.

Na hora de investir, deixe uma margem

Buffett também afirma que antes de tomar uma decisão de investimento, o investidor precisa entender qual o valor da empresa. Pois, é com base nele, que irá oferecer um preço que lhe assegure um retorno atrativo. Mas, como saber qual é esse preço, se até mesmo os analistas de mercado são unânimes em dizer que é impossível prever exatamente qual será o preço de uma ação em um determinado momento?

Para quem se pergunta então qual o trabalho dos analistas vale lembrar que ao projetar o preço alvo de uma ação, o que eles estão fazendo é indicando uma tendência sob um determinado cenário. Basta que esse cenário não se confirme, e aqui existem várias razões pelas quais isso pode acontecer, para que a previsão se distancie do inicialmente previsto.

Portanto, a melhor forma de se proteger, é deixar algum tipo de margem de manobra, para o caso de algo não acontecer como previsto. Assim, Buffett recomenda que só invista em uma ação se estiver seguro que terá um ganho positivo, mesmo no caso de algo dar errado.

Para quem está começando e ainda está temeroso de tomar esse tipo de decisão, Buffett lembra que basta evitar grandes erros, ou seja, o investidor não precisa fazer coisas extraordinárias para ser bem sucedido.

Endividamento consciente

Buffett também é avesso ao uso indiscriminado de crédito, segundo ele: dinheiro emprestado é a maneira mais comum pela quais pessoas espertas quebram.”

Diante disso, não chega a surpreender que, em seu Manual do Proprietário, ele afirme que só utiliza crédito esporadicamente. Mesmo quando levanta empréstimos, Buffett afirma que os mesmos são estruturados no longo prazo e embutem taxa de juro fixa.

Buffett é claro ao afirmar que isso pode ter lhe custado um retorno e xtra, mas ainda assim prefere perder uma boa oportunidade de investimento a aumentar significativamente o grau de endividamento da sua empresa. Além disso, ele afirma não conseguir trocar uma boa noite de sono, por alguns pontos percentuais a mais de retorno.

Emoções e investimento

Buffett também chama a atenção para o envolvimento das emoções nas decisões de investimento. E, aqui ele faz uma afirmação interessante: a ação não sabe que você a possui.

Na prática isso significa que, mesmo que você tenha sentimentos pela ação de uma determinada empresa, é importante que tenha a consciência de que a recíproca não é verdadeira. Exatamente por isso o investidor não deve ficar emocionalmente envolvido com as suas ações.

Da mesma forma, ele lembra que não é recomendável tomar decisões precipitadas porque o mercado está em baixa. Afinal, trata-se de um investimento de longo prazo, em que o sucesso de um investidor pode ser atribuído à sua capacidade de resist ir à tentação de constantemente comprar e vender. Nesse sentido, ele lembra que só devem investir em ações os investidores que conseguirem ver, mesmo que temporariamente, o valor de seu investimento cair 50% sem ter uma crise de pânico.

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Faça sua aposta

by Fabricio on November 1, 2005

– Mauro Halfeld

Viaje no tempo, de volta para 1992. Você é um investidor internacional e seu corretor lhe sugere investir em ações na China ou no Brasil. Os dois países têm enorme potencial econômico. Qual deles teria mais chance de adicionar valor ao seu patrimônio nos próximos onze anos?

Esse interessante caso foi analisado pelo professor Jeremy Siegel, da Wharton Business School. O crescimento da economia chinesa já havia decolado em 1992. Dez anos antes, o governo de Deng Xiaoping iniciara um programa de reformas. Em 1990, a Bolsa de Xangai foi aberta e causou grande excitação nos chineses. Dois anos depois, o número de ações listadas saltaria de 20 para 70, e o volume de negócios triplicaria em relação ao ano anterior.

Em 1993, o preço das ações chinesas disparou, e famílias americanas já investiam em fundos de ações dedicados aos orientais. Muitos acreditavam que a economia chinesa iria crescer enormemente nos próximos anos. Acertaram. O PIB chinês cresceu 9,3 % ao ano, em média, nos onze anos que se seguiram. Simplesmente, o triplo do forte crescimento anual americano no mesmo período. Em 2003, o PIB chinês, ajustado pela paridade do poder de compra, já era o segundo maior do mundo.

Por outro lado, o Brasil começou os anos 90 em crise. Em 1992, tivemos a queda de Collor, e a inflação fechou o ano em 1.100%. Fernando Henrique venceu as eleições em 1994, reduziu a inflação substancialmente à custa de juros exorbitantes e de uma âncora cambial. Em 1999, o mercado derrubou o mito do real forte em um país com enormes déficits em suas contas externas. Escândalos políticos, apagão e forte austeridade nas contas públicas geraram insatisfação.

Em 2002, Lula ganhou as eleições gerando uma forte crise nos mercados. De 1992 a 2003, o PIB brasileiro cresceu só 1,8% ao ano, ficando entre os piores desempenhos dos países em desenvolvimento. Enquanto o PIB chinês acumulou um crescimento de 166% em onze anos, o PIB brasileiro aumentou apenas 22%.

Que país teria enriquecido mais o patrimônio dos investidores em ações? A resposta certa é Brasil. Sim, de 1992 a 2003, uma quantia de mil dólares investida no índice de ações chinês valeria só US$ 320. Por outro lado, mil dólares aplicados no Ibovespa valeriam US$ 4.781!

Qual o motivo dessa aparente distorção? No início do período analisado, as ações chinesas já estavam muito caras e as brasileiras eram vendidas a preços de banana. Moral da história: muito mais lucrativo do que aplicar em países e empresas da moda é comprar ativos que estejam desvalorizados.

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