Oportunidades de investimento nos EUA

by Fabricio Stefani Peruzzo on 05/08/2011

Este texto surgiu da resposta a uma leitora do site que perguntava se eu poderia aproveitar que estou vivendo uma temporada aqui nos Estados Unidos para escrever sobre oportunidades de investimento por aqui. Abaixo, segue minha resposta, que espero possa ajudar mais pessoas a tomar suas decisões de investimento com um pouco mais de consciência da situação do planeta.

Os Estados Unidos estão quebrados. É uma coisa engraçada falar isso enquanto estamos aqui e vemos o dia a dia deles, pois há muitas coisas que foram conquistadas pela sociedade aqui, em termos de consumo e conforto pessoal, que aparentemente parece que está tudo bem. Por exemplo, agora há pouco vimos uma das arrumadeiras do hotel em que estamos saindo daqui, em um carro grande e relativamente novo. Um carro que no Brasil, é carro de empresário, de quem está realmente bem de vida, mas aqui, com dois anos, um carro destes é realmente muito barato e qualquer pessoa com um emprego estável tem condições de comprar. Mesmo porque, os financiamentos são inúmeros e as taxas de juro próximas de zero. A mentalidade aqui é “a prestação cabe no bolso, vamos comprar”. O conceito de crédito é rei aqui. Ninguém precisa ter dinheiro para adquirir os confortos da vida, precisa ter crédito. E depois vemos uma minoria lendo Pai Rico, Pai Pobre para tentar sair da corrida dos ratos em que se meteram com tantas contas comendo tudo o que ganham.

Então não podemos deixar nossos olhos nos enganar com coisas materiais que são diferentes do que estamos acostumados, temos que olhar mais profundamente.

Oportunidades, há inúmeras em todo o lugar. Se vão vingar, só com bola de cristal. Hoje em dia, por exemplo, se compram mansões em Las Vegas por oito vezes menos do que custavam há apenas três anos. Mansões que no Brasil custariam mais de 10 milhões de reais, aqui se encontram por US$ 500.000. Mas será que valorizarão novamente? Será que o país sairá do buraco em que se meteu com a crise fiscal que gerou nos últimos 10 anos?

E aí vemos o Brasil, o último a sofrer com a tal crise em 2008 e o primeiro a se recuperar. Um lugar onde temos não apenas o conhecimento de como as coisas funcionam, mas onde temos um dos melhores climas e terras do planeta, sem terremotos, sem tsunamis, sem furações, sem vulcões. Porque perder tempo investindo onde tudo o que havia para ser feito já está pronto, quando podemos investir em nosso próprio país, onde tudo ainda está para ser construído, gerando infinitas possibilidades? Aqui nos EUA já estão de pé todas as escolas, todos os hospitais, todas as estradas. O trabalho aqui é só de manutenção. No Brasil, tudo está para construir, tudo está por fazer, oportunidade assim só aparece durante uma ou duas gerações, quem aproveitar aproveitou, quem deixar passar ficará para trás. O Eike Batista está fazendo a parte dele. E cada um de nós, o que está fazendo?

E mais, estudando a história da construção das nações e adaptando para a realidade atual, temos ferramentas incríveis para aproveitar muito melhor as oportunidades. A maioria não estuda, a maioria não pesquisa, a maioria não tem cultura global, não conhece o que acontece intimamente nos outros países e continentes. Quem tem estas vivências e informações pode muito mais, simplesmente porque possui melhores condições de analisar a situação e comparar com o que já experimentou fora do país. Usar estas informações é uma alavanca que tão pouca gente possui, que pode nos dar um vantagem desproporcional em termos de escolha.

Basta agora fazer as escolhas acertadas 🙂

Eu, por exemplo, pretendo iniciar um negócio onde americanos invistam seus dólares no Brasil, investindo em imóveis. As vantagens para eles? Não apenas o lucro muito maior possível nos negócios em nosso país, mas também os juros muito mais atrativos para o capital enquanto não utilizado diretamente nas construções. Sem esquecer a vantagem cambial, com a moeda deles valendo cada vez menos frente ao real.

Sobre esta última vantagem, disse isso aos amigos que estavam no Japão, guardando suas economias em dólar… Falei para transformarem tudo em real de uma vez, que ainda ficaria pior. De 1,80 já estamos em menos de 1,60 na cotação, e continua baixando. Isto apenas de fevereiro para cá. Se pegarmos a cotação dos últimos dois anos, a coisa é ainda pior. Mas o pessoal se apega naquela esperança em vão de que as coisas vão voltar ao que eram… Não voltam, o mundo é cíclico, e os ciclos são mais longos do que a média das pessoas tem paciência para esperar.

E aí temos um post. Estava escrevendo isso como comentário para a questão de uma leitora do site, mas a coisa foi ficando cada vez maior e então resolvi compartilhar esta resposta com todos.

O que você está fazendo para aproveitar a onde de crescimento em nosso país nos últimos anos? Como você está se preparando para aproveitar as oportunidades que ainda surgirão? Você já domina uma segunda ou terceira língua, ao menos para compreender textos escritos na mesma e buscar as informações diretamente nas fontes, ou tem que esperar alguém traduzir e mastigar tudo na sua língua pátria? Lembre-se que quando a informação chega traduzida, já é informação velha. No mundo dinâmico de hoje, consumir tradução só te ajuda a manter a cabeça fora d’água, mas não é suficiente para conseguir nadar longe dos tubarões.

{ 7 comments }

Fabricio Stefani Peruzzo 06/08/2011 às 01:34

E então, depois de postar este texto e voltar de um jantar com um amigo, chego em casa e todas as notícias são sobre o rebaixamento do rating dos títulos americanos pela S&P, pela primeira vez…

Aline Zwierzinski 06/08/2011 às 20:31

Muito obrigada pela resposta 🙂

Valdomiro 07/08/2011 às 12:55

Excelente post! Precisamos sempre ter em mente o que acontece no mundo para não perdermos oportunidades e, principalmente, nossas economias.

Marco 08/08/2011 às 12:21

A questão de se investir no Estados Unidos ou no Brasil é completamente diferente.
O problema de “construirmos” algo no Brasil, é que é 10 vezes mais difícil construir algo aqui do que nos USA. O Brasil afunda os investidores em Burocracias e Impostos.
Recentemente abri uma empresa nos Estados Unidos, aqui do Brasil por intermédio de um escritório. A empresa foi aberta em menos de 10 dias e quando perguntei sobre os impostos, a resposta foi que só teria que pagar os impostos interestaduais para a venda do produto. Impostos relativamente baixos se comparados ao Brasil.
Ou seja, burocracia minima e impostos bem menores. Assim da gosto abrir um negócio.
Quem abre empresa no Brasil se afunda em burocracia ou fica devendo imposto.
Fora a mentalidade das empresas e pessoas que fazem negócios, é bem diferente.
No Brasil é um querendo levar vantagem em cima do outro. Fazendo negócios com Americanos, vejo que eles visam o lucro sim, claro, afinal são capitalistas, mas não tentam te ferrar a todo custo e nem levar vantagem.

Os USA estão crise? Mas as coisas continuam funcionando.

O que eu vejo é que, no Brasil, você precisa se esforçar 10 vezes mais para um negócio prosperar, ou seja, a energia gasta na abertura de um business aqui no Brasil, você prosperaria muito mais rápido lá fora, claro, levando em considerações questões mercadológicas, concorrência, etc..etc..

Outra coisa que vejo, não sei se estou certo, é que o Classe Média Alta do Brasil e o Classe Média Baixa dos USA.

Será que estou equivocado em minha visão?

Abraços.

Fabricio Stefani Peruzzo 09/08/2011 às 14:18

Oi Marco,

Há coisas boas e ruins em ambos os países. A questão dos impostos e burocracia, por exemplo, é relativa. A burocracia nos USA pode ser mais simples e rápida para a abertura de uma empresa, mas a questão dos impostos tem que ser vista com bastante cautela, pois dependendo do estado em que tua empresa se encontra e do estado onde os produtos são vendidos, começa a complicar os detalhes de funcionamento da coisa.

Quanto aos impostos, as empresas pagam mais nos USA do que no Brasil. Não apenas as empresas, mas as pessoas físicas. Se os brasileiros reclamam do que pagam ao Leão, é porque não viram o que um trabalhador americano deixa para o país, para o estado e em alguns casos para a cidade. Um trabalhador em São Francisco paga muito mais impostos do que um trabalhador brasileiro de qualquer região do país. Dá para se dizer que recebe mais em troca? Em alguns casos sim, em outros não. O sistema de saúde aqui é todo pago, e caríssimo. As estradas, por outro lado, são excelentes, ou pareciam ser até uns dias atrás, quando saí do meu circuito habitual e descobri que estradas menores também tem problemas de manutenção e de engarrafamentos monstruosos.

Já a comparação do classe média americano com o classe média brasileiro, é algo subjetivo. O nível de conforto material americano é muito maior do que o do brasileiro, no sentido que é muito mais barato comprar carros, ter aquecimento em casa, e coisas desse tipo. Por outro lado, qualquer atividade que precise de pessoas, como limpeza, manicure, pintura, encanador, é absurdamente mais cara aqui.

De que região do Brasil tu és? Fiquei curioso com o que citaste em relação a mentalidade das empresas e pessoas que fazem negócios, porque eu não tenho esta mesma experiência de uns querendo levar vantagem em cima dos outros. Claro que aqui as coisas são mais rápidas em muitos pontos, até porque o mercado é muito mais consumista para determinados produtos, mas é a mesma diferença que se vê entre Porto Alegre e São Paulo, por exemplo. Em Porto Alegre, como todo gaúcho que lê aqui o site pode concordar, as pessoas tem um longo período de “namoro” antes de confiar umas nas outras para fechar negócio. Não fecham as portas antes de ter certeza de que um é o melhor para o outro. Já miha experiência em São Paulo é mais no estilo: “gostei de ti e teu produto me serve, vamos fechar”, ou “infelizmente não preciso do teu produto, obrigado e até mais”, mais práticos e diretos.

No final, o melhor é exatamente o que estamos fazendo, compartilhando visões de mundo e ampliando nosso visão com as experiências de outros. Obrigado por participar e compartilhar aqui.

Jucimeri Wilbert 01/12/2011 às 22:11

Excelente post. Comentários produtivos, auxiliam, principalmente a ampliar a visão de mundo. Obrigado.

André Matter 23/01/2012 às 09:35

Realmente foi um post muito bom!

Fabrício, seria interessante se tu fizesse uma artigo sobre o futuro do mercado de construção no Brasil. Com este boom do momento, tu já comentou em outro post que a tendência é os preços baixarem, mas será que “construir” passará a ser um negócio ruim ou ao menos pouco lucrativo?

Comments on this entry are closed.

Previous post:

Next post: