Hoje recebi um email que mereceu uma resposta pública, pois notei que podia ajudar mais pessoas a tomar a decisão mais lucrativa a longo prazo. Aproveitei então para escrever o primeiro tópico de discussão no meu mais novo projeto, a Sociedade do Imóvel. Este é um pré-lançamento, já temos um logotipo, mas não temos ainda o cabeçalho do site. Os textos iniciais estão saindo do forno, esta semana publicarei um artigo detalhando um dos meus mais novos investimentos em imóveis na planta.
Sem mais delongas, leia minha resposta para a questão: é melhor vender a carta de consórcio com lucro ou investir o crédito contemplado em imóveis?
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Olá Fabricio!
Acompanho seus textos há muito tempo, mas hoje gostaria de uma ajuda diferente. Eu atualmente tenho minha vida bem estabelecida, e graças a muito controle, já tenho imóveis próprios e uma família bem encaminhada. Mas quero auxílio justamente para um dos pedreiros que trabalhou em minha obra. Ele vive “de favor” na casa de um amigo, tem mulher e dois filhos pequenos, está ganhando em média 1500 reais sem carteira assinada (como pedreiro em vários “bicos”) e precisa urgentemente de um local próprio para morar. Ele veio me pedir ajuda para conseguir um EMPRESTIMO EM BANCO para comprar o mais rápido possível um lote e ele mesmo construir urgentemente um barraquinho para mudar com a família. Decididamente sou contra qualquer tipo de empréstimo em banco, e mesmo nas minhas épocas de pior aperto financeiro nunca recorri a isso (pareceria suicídio para mim, arrumar mais dívidas – e com bancos! – justo no momento de maior aperto). Penso que no caso dele seria muito difícil, ainda mais que ele não tem nada que sirva como garantia. Ainda pretendo olhar o tal programa do governo “Minha casa minha vida”, que disseram ter juros mais baixos para quem é de baixa renda, mas gostaria da sua opinião: sugeri a ele que olhasse um consórcio, pois para quem não tem nada mas acha que consegue manter um pagamento mensal, seria mais viável que o empréstimo (onde além da mensalidade teria juros a pagar), mesmo que ele tivesse que segurar as pontas durante algum tempo ainda morando de favor. O único problema é que ele tem pressa – mas não tem dinheiro sobrando…
O que você, com toda a sua experiência, sugere? Um imenso abraço,
Myrian
Oi Myrian,
A idéia de consórcio é a que também me vem em mente, por vários motivos. Um deles, claro, é por usar pessoalmente os consórcios como alavanca para meus investimentos pessoais, mas mais que isso, os consórcios me vem a mente por conta da situação do pedreiro.
Não entrando no mérito de porque ele se encontra na situação em que se encontra, o fato básico é que se ele não possui nenhuma reserva, como tu falaste, é simples consequencia de não ter o conhecimento e/ou a disciplina necessários para isso. Ele fazer um financiamento é uma opção, mas como tu bem sabe, uma opção que no final das contas sairá muito cara devido aos juros.
A pressa é aquela coisa que todos tem, o planejamento é aquilo que ninguém quer fazer. Então não há solução, quem tem pressa, acaba pagando caro por ela. Quem planeja, consegue construir mais, com menos.
O consórcio serve para ele ao permitir que a disciplina de poupança que ele não tem por conta própria, seja mantida através dos boletos mensais que receberá. A parte dele é simplesmente manter os pagamentos todos os meses e aguentar as pontas até ser contemplado. Pode demorar mais ou menos, como ele não tem valor algum para dar lances, dependerá exclusivamente da sorte, mas saberá que em um período máximo do prazo do consórcio, será dono de sua casa própria a um custo de metade ou até três vezes menos do que se optasse pelo financiamento imediato. Em dez anos ele estará livre de qualquer dívida e dentro da própria casa, enquanto que com o financiamento, para um mesmo valor de prestação, certamente teria no mínimo mais dez anos extras para pagar.
Fico a disposição no que mais puder ajudar.