Pela metade

by Fabricio on September 12, 2007

Poema “chupado descaradamente” do blog do Alessandro Martins, mas bom demais para não compartilhar aqui. Então aproveito o post para indicar o blog dele a todos os amantes de livros. No texto em questão ele escreve sobre as mudanças na ortografia da lingua portuguesa.

Segue o poema, extremamente relevante para nós empreendedores…

O Gato e o Pássaro

Uma aldeia ouve desolada
O canto do pássaro ferido
É o único pássaro da aldeia
E foi o único gato da aldeia
Que o devorou por metade
E o pássaro deixa de cantar
O gato deixa de ronronar
E de lamber o focinho
E a aldeia faz ao pássaro
Um funeral maravilhoso
E o gato que foi convidado
Segue atrás do pequeno caixão de palha
Onde o pássaro morto vai estendido
Levado por uma menina
Que não pára de chorar
Se soubesse que isso te deixava tão triste
Disse-lhe o gato
Tinha-o comido inteiro
E depois contava-te
Que o tinha visto partir a voar
A voar até ao fim do mundo
De onde tão longe que é
Nunca ninguém volta
Seria para ti um desgosto mais pequeno
Unicamente tristeza e saudades

Nunca se devem deixar as coisas a meio.

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11 de setembro de 2001

by Fabricio on September 12, 2007

Ontem rolou um meme sobre onde estávamos no fatídico 11 de setembro de 2001. E hoje, dia 12, eu escrevo onde estava e o que senti. Porque só hoje? Explico no texto…

Eu trabalhava para uma startup, uma empresa que seria a Nasdaq das commodities agrícolas. Um projeto bastante interessante. Neste dia, deveria estar nos Estados Unidos. Tinha programado para viajar para lá e acabei não indo porque a empresa estava há mais de 3 meses com os salários atrasados. Apesar de ter o dinheiro para ir, resolvi não arriscar as reservas sem saber o que iria acontecer nos meses seguintes. Então estava no Brasil, trabalhando. É interessante notar quando acontecem coisas ruins (não receber o salário) e quando vemos, esse fato teve como consequência algo bom para nós (não estar longe da família e perto da tragédia).

Uns dias depois, ao conseguir falar com um amigo que morava lá, ele ainda fez uma brincadeira, dizendo que estava no sétimo andar da segunda torre. Todos os outros amigos com quem ele falou sabiam que era brincadeira dele. Eu não tive essa capacidade de raciocinar. Estava ainda em choque. Achei que era verdade. E pior, se fosse verdade, não estaria aqui escrevendo essas linhas. Porque minha estada nos EUA seria na casa desse amigo. E se ele realmente estivesse na torre, no sétimo andar, fazendo um trabalho, eu certamente teria ido com ele. E estaria feliz, no topo da torre dois, minutos antes dela despencar. Passei alguns meses com isso me atormentando. Apenas alguns anos depois, quando conversavamos sobre algum outro assunto qualquer, ele me disse com todas as letras que era brincadeira. Mas ainda não sei se era mesmo ou se ele apenas quis me tranquilizar.

Quando vi na TV, não acreditei no que estava passando. Foi aquele espanto de ver algo surpreendente em um filme. Mas não era um filme, era a vida real, acontecendo a 30 quadros por segundo. Fiquei em estado de choque. Não conseguia acreditar no que estava vendo. Não sou nenhum defensor dos EUA, muito menos detrator. Mas aquilo não atingia apenas os Estados Unidos, aquilo era um crime contra a humanidade. Meses depois deu para ver que os alvos eram tudo e todos, quando houveram os ataques na Espanha e em Londres (quando minha irmã menor estava lá.

Então porque escrevo apenas hoje? Porque no dia, o choque foi tão grande, que fiquei completamente sem ação. Sabia algumas das consequências que iriam acontecer, simplesmente não conseguia pensar em nenhuma delas naquele momento. Então nas semanas seguintes, quando finalmente lembrei das minhas ações na Bolsa, fui verificar. Minhas ações valiam pouco mais de 5% do que estavam valendo uns dias antes. Pode ter sido somente azar de estar justo com as ações que mais despencaram na carteira, mas o número é esse. Um dia, 100%, no outro, 5%. Nos meses seguintes recuperei um pouco da perda, já que não vendi nada depois de ter despencado. Mesmo assim, perdi o rendimento de 5 anos em que tinha investido sistematicamente.

Por isso hoje, um dia depois, eu escrevo aqui. De luto desde ontem por todos que perderam muito mais do que simples tostões.

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