by Fabricio on May 5, 2006
No final de janeiro havia lido o livro: Empreendedor Rico: 10 Lições Práticas para ter Sucesso no Seu Próprio Negócio, do Robert Kiyosaki, autor de Pai Rico, Pai Pobre.
Na minha opinião, somente a Introdução já vale os R$ 49 que o livro custa. O título original do livro, “Antes de Largar o Emprego”, me parece muito melhor que a tradução pobre e oportunista usando a palavra Rico. Não entendo porque a editora aqui faz esse tipo de coisa, mas provavelmente seja porque eles sabem o que vende aqui (o negócio deles) e eu não.
A Introdução explica o que é ser empreendedor e compara com ser empregado. Fala sobre as dificuldades que o empreendedor passa e quais as características de comportamente necessárias para quem pretende se tornar um. Explica ainda porque tanta gente se dá mal tentando empreender enquanto tem embutida na mente a forma “empregado” de pensar. Mostra que o comportamento empreendedor pode ser aprendido e explica que o pensamento de empregado é uma coisa dos tempos modernos (sim, o do Chaplin). Termina finalmente com uma cena do Filme Easy Rider, fazendo uma relação da busca da liberdade por parte dos protagonistas e da busca de liberdade do empreendedor.
Quem é empreendedor de verdade, daqueles que tocam seu próprio negócio há pelo menos 10 anos, que provavelmente já tenham tido quedas grandes, que devem ter tido mais de um negócio quebrado antes de “se encontrar” no negócio atual, certamente vai se identificar com muitas das coisas relatadas no livro.
Contando a história dos erros e quedas que ele teve na carreira, o autor vai colocando peça por peça do que é necessário mudar de dentro para fora na forma de pensar para aprendermos a agir instintivamente como empreendedores.
Vale a pena, mesmo. Para mim, que criticava o modo meio irresponsável como os outros livros incutiam a idéia de “larga tudo e abre uma empresa”, esse livro é a redenção do autor. Nele ele diz: “Larga tudo e abre uma empresa. Mas saiba que vai ter que passar por isto e isto e mais isto”.
by Fabricio on May 5, 2006
Esta semana recebi um e-mail oferecendo uma carta contemplada para venda. Os e-mails trocados exemplificam o absurdo que pode acontecer quando caimos no “conto do vigário” do lance embutido de algumas administradoras.
Bom dia Fabricio,
Li a matéria na internet sobre como investir em consórcio imobiliário e gostaria de tirar algumas dúvidas. Adquiri um consórcio imobiliário da Caixa Econômica e fui contemplado. Porém, não estou mais interessado no bem e gostaria de vender.
Os valores são:
Carta: R$ 14.600,00
Restam: 77 prestações de R$ 246,40
Valor pago: R$ 5.900,00
Quanto eu poderia ganhar de ágio nessa venda? Seria fácil vender esta carta?
Obrigado,
Nome Omitido.
Oi Nome Omitido,
Como o valor do crédito da tua carta é pequeno e tanto saldo devedor quanto o valor de entrada são muito altos em relação ao crédito, acredito que não seja fácil vender essa carta.
Estão certos os valores que tu passaste?
Porque fiz o cálculo, e dá mais de 70% de acréscimo na relação do crédito com o saldo devedor.
Abraço,
Fabricio.
Oi Fabricio,
Os valores estão corretos sim. Eu comecei pagando por uma carta de R$ 40.000,00 uma prestação de R$ 557,00 e após o “lance embutido” (utilizei 50% da própria carta + R$6.000,00 de FGTS), fui contemplado e o valor caiu para R$ 246,40.
Seria complicado passar este consórcio contemplado mesmo cobrando um valor mínimo de ágio (R$ 500,00 a R$ 1.000,00) ou até mesmo sem cobrança de ágio? A Megacombo faria este tipo de transação com a minha carta?
Abraços.
Nome Omitido.
No exemplo acima dá para notar o absurdo que pode ocorrer quando optamos por fazer um consórcio que permite utilizar “lance embutido”. Acabamos com um consórcio de menos da metade do valor original, mas pagamos a taxa de administração sobre o valor total.
Uma taxa de administração que deveria ser de aproximadamente 20% pode se transformar em mais de 70%, como vimos no caso acima.
Por esse motivo que eu procuro sempre mostrar para as pessoas a importância de estudar o que vão fazer antes de partir para a ação. Ou no mínimo, que procurem informação com quem costuma investir nisso. Notem bem o termo: investir, não vender. Porque a quase totalidade dos vendedores de consórcio não possuem consórcios em seus próprios nomes. Se eles não usam o produto que vendem, como acreditar que eles entendem do que estão falando?