Dinheiro e felicidade: será que existe relação?

by Fabricio on December 4, 2005

Por Fernanda de Lima, publicado originalmente no site InfoMoney.

A maioria dos psicólogos e sociólogos concorda que não existe uma relação exata entre dinheiro e felicidade, pelo menos não entre as pessoas que não vivem em situação de pobreza. Entre os pobres, contudo, como o dinheiro tem um impacto significativo na qualidade de vida da pessoa, ele pode influenciar o grau de felicidade.

Se o tema vem sendo alvo de discussão entre filósofos e psicólogos há muito tempo, mais recentemente ele também tem atraído a atenção dos economistas. Dentre as descobertas feitas está a de que as pessoas que vivem em países ricos não são mais felizes do que aquelas que vivem em países pobres.

Felicidade de curto prazo

Para tanto, o sociólogo David Myers lembra que, apesar de estarem duas vezes mais ricos do que eram em 1957, o grau de felicidade dos norte-americanos caiu pela metade. Também é dele a constatação de que, na década de 80, apesar de terem o dobro da renda dos irlandeses, os alemães ocidentais não eram mais felizes.

Já o professor de psicologia da Universidade de Illinois, Ed Diener, constatou que não existe uma diferença significativa entre o grau de felicidade dos milionários norte-americanos, que fazem parte da lista dos 400 mais ricos do mundo da revista Forbes, e os pastores do Leste da África.

Diener também verificou que os 100 americanos mais ricos são apenas ligeiramente mais felizes do que o americano médio. Na prática, o que essas constatações sugerem é que, uma vez atendidas as necessidades básicas da vida, não existe uma relação direta entre dinheiro e felicidade.

Os estudos também afirmam que o recebimento inesperado de uma quantia de dinheiro como ganho na loteria, recebimento de herança, pode trazer uma felicidade apenas temporária. Aliás, no que refere a loteria, o que se constata é o inverso: boa parte das pessoas que vencem esse tipo de prêmio acaba perdendo o controle financeiro de suas vidas, e no longo prazo se sentem mais infelizes.

Por que buscamos a fortuna?

Mas, então como explicar então essa busca incessante que todos nós temos pelo dinheiro? Para o economista Richard Easterlin, essa busca se justifica pelo prazer - ainda que momentâneo -, que as pessoas têm em acumular dinheiro.

Porém, trata-se de uma sensação de curto prazo, uma vez que o homem moderno vive em constante comparação com os outros. Assim, na prática, basta que uma pessoa obtenha um aumento de salário, que ela rapidamente encontra uma utilização para esse dinheiro extra e já começa a almejar outro aumento.

Para o economista David Blachflower, o fator idade também influencia. Em sua opinião, o gráfico da felicidade por idade do ser humano tem formato de “U”, já que as pessoas tendem a ser mais felizes quando jovens e na terceira idade. Por sua vez, a felicidade é menor na meia idade, quando nos aproximamos dos 40 anos.

Dinheiro como meio, e não fim

Porém, se o dinheiro não é sinônimo de felicidade, então o que faz as pessoas felizes? Segundo estudo elaborado pelo Centro Nacional de Pesquisa da Universidade de Chicago, boas relações sociais, com amigos, familiares e, no caso dos casados, com o cônjuge, boa saúde, e algum tipo de participação comunitária são fatores que contribuem para a felicidade das pessoas.

Os estudos também evidenciam que as pessoas que se concentram no próprio sucesso e não vivem constantemente se comparando com os outros, em termos de renda, tempo com a família, etc., tendem a ser mais felizes.

Em outras palavras, saber o que quer parece ser o primeiro passo para a felicidade. Caso contrário, corre-se o risco de se buscar constantemente a felicidade dos outros. Ao definir o que lhe faria feliz (ex. compra de uma casa, educação dos filhos, etc.), você transforma o dinheiro que pretende acumular, em ferramenta para o alcance da sua felicidade, e não em fim. Com uma idéia clara do que pretende alcançar, basta um pouco de esforço e planejamento que, eventualmente, você alcança a felicidade que procura.

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Como nasce um paradigma

by Fabricio on December 4, 2005

Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula, em cujo centro puseram uma escada e, sobre ela, um cacho de bananas.

Quando um macaco subia a escada para apanhar as bananas, os cientistas lançavam um jato de água fria nos que estavam no chão. Depois de certo tempo, quando um macaco ia subir a escada, os outros enchiam-no de pancadas. Passado mais algum tempo, nenhum macaco subia mais a escada, apesar da tentação das bananas. Então, os cientistas substituíram um dos cinco macacos. A primeira coisa que ele fez foi subir a escada, dela sendo rapidamente retirado pelos outros, que o surraram. Depois de algumas surras, o novo integrante do grupo não mais subia a escada. Um segundo foi substituído, e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituto participado, com entusiasmo, da surra ao novato. Um terceiro foi trocado, e repetiu-se o fato. Um quarto e, finalmente, o último dos veteranos foi substituído.

Os cientistas ficaram, então, com um grupo de cinco macacos que, mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam batendo aquele que tentasse chegar às bananas. Se fosse possível perguntar a algum deles porque batiam em quem tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria: “Não sei, as coisas sempre foram assim por aqui…”

“É MAIS FÁCIL DESINTEGRAR UM ÁTOMO DO QUE UM PRECONCEITO”.
–Albert Einstein

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Por Fernanda de Lima. Publicado originalmente no site InfoMoney.

Com 75 anos de idade e um patrimônio de US$ 43 bilhões, Warren Buffett é, sem dúvida, um investidor da “velha guarda”. Avesso à tecnologia, como ele mesmo afirma, Buffett estima que, desd e 1955, tenha obtido um retorno médio anual de 31% em sua carteira de ações. Para quem não se impressionou com a afirmação, vale lembrar que isso equivale a quase três vezes o resultado obtido pelo índice S&P 500, que no mesmo período foi de 11%.

Não importa se você concorda, ou não, com o estilo do segundo homem mais rico do mundo, atrás apenas de Bill Gates, uma coisa é certa: não dá para ignorar que sua estratégia de investimento foi, ao menos até o momento, muito bem sucedida. Assim, selecionamos algumas das principais dicas de Buffett para quem pensa em investir no mercado de ações.

Ignore o mercado, ele não instrui

Uma das afirmações mais conhecidas de Buffett é de que o investidor não deve considerar o mercado ao tomar suas decisões, mas, ao contrário, deve ignorá-lo. Na prática isso significa que o desempenho do mercado não está tentando lhe dizer alguma coisa, o que diz se você está certo ou errado são os resultados da empresa.

Nesse senti do, Buffett recomenda que, ao aplicar o seu dinheiro o mercado de ações, o investidor opte por empresas com histórico de boa rentabilidade e com uma presença marcante de mercado. Contudo, ele lembra que o correto não é analisar o retorno anual, mas sim o retorno médio ao longo de um período de pelo menos 5 anos.

Aliás, esse é um dos vários pontos em que - para usar a sua própria terminologia, Buffett “come o que faz”, já que é conhecido por tomar decisões de investimento sozinho, sem recorrer à ajuda de consultores ou à análise detalhada de inúmeros relatórios. Em sua opinião, essa é a única forma de se manter “racional” como investidor e, portanto, ganhar dinheiro em um mercado dominado por investidores irracionais.

Buffet completa afirmando que o maior inimigo do investidor racional é o otimismo. Exatamente por isso ele recomenda aos investidores cautela quando o resto do mercado está ganancioso, mas defende que sejam gananciosos, quando o resto do mercado está temeroso.

Não se esqueça do que é uma ação

Por mais que a maioria dos investidores saiba que uma ação nada mais é do que parte de uma empresa, Buffet acredita que, na hora de investir, muitos não pensem da mesma forma. Ele justifica sua percepção afirmando que, ao invés de refletir sobre a escolha das ações, a maioria dos investidores procura entender o momento correto de investir, quando já sabemos que é a escolha das ações corretas que garante 90% do retorno de uma carteira de investimentos.

Assim, Buffett propõe que pensemos no seguinte: e se, por alguma razão qualquer a bolsa de valores ficar fechada por três anos? Se, mesmo sob esse cenário você estiver satisfeito de manter a ação, então provavelmente você está satisfeito com a empresa. O que está em jogo, portanto, não é o prazo durante o qual você irá manter o investimento, essa é uma outra discussão, mas sim se você acredita que no longo prazo esse seria um bom investimento.

Desta forma , nunca se deve investir em empresas que não se conhece. Pois, como ele mesmo afirma: “o maior risco que o investidor enfrenta é o de não saber o que está fazendo”.

Na hora de investir, deixe uma margem

Buffett também afirma que antes de tomar uma decisão de investimento, o investidor precisa entender qual o valor da empresa. Pois, é com base nele, que irá oferecer um preço que lhe assegure um retorno atrativo. Mas, como saber qual é esse preço, se até mesmo os analistas de mercado são unânimes em dizer que é impossível prever exatamente qual será o preço de uma ação em um determinado momento?

Para quem se pergunta então qual o trabalho dos analistas vale lembrar que ao projetar o preço alvo de uma ação, o que eles estão fazendo é indicando uma tendência sob um determinado cenário. Basta que esse cenário não se confirme, e aqui existem várias razões pelas quais isso pode acontecer, para que a previsão se distancie do inicialmente previsto.

Portanto, a melhor forma de se proteger, é deixar algum tipo de margem de manobra, para o caso de algo não acontecer como previsto. Assim, Buffett recomenda que só invista em uma ação se estiver seguro que terá um ganho positivo, mesmo no caso de algo dar errado.

Para quem está começando e ainda está temeroso de tomar esse tipo de decisão, Buffett lembra que basta evitar grandes erros, ou seja, o investidor não precisa fazer coisas extraordinárias para ser bem sucedido.

Endividamento consciente

Buffett também é avesso ao uso indiscriminado de crédito, segundo ele: dinheiro emprestado é a maneira mais comum pela quais pessoas espertas quebram.”

Diante disso, não chega a surpreender que, em seu Manual do Proprietário, ele afirme que só utiliza crédito esporadicamente. Mesmo quando levanta empréstimos, Buffett afirma que os mesmos são estruturados no longo prazo e embutem taxa de juro fixa.

Buffett é claro ao afirmar que isso pode ter lhe custado um retorno e xtra, mas ainda assim prefere perder uma boa oportunidade de investimento a aumentar significativamente o grau de endividamento da sua empresa. Além disso, ele afirma não conseguir trocar uma boa noite de sono, por alguns pontos percentuais a mais de retorno.

Emoções e investimento

Buffett também chama a atenção para o envolvimento das emoções nas decisões de investimento. E, aqui ele faz uma afirmação interessante: a ação não sabe que você a possui.

Na prática isso significa que, mesmo que você tenha sentimentos pela ação de uma determinada empresa, é importante que tenha a consciência de que a recíproca não é verdadeira. Exatamente por isso o investidor não deve ficar emocionalmente envolvido com as suas ações.

Da mesma forma, ele lembra que não é recomendável tomar decisões precipitadas porque o mercado está em baixa. Afinal, trata-se de um investimento de longo prazo, em que o sucesso de um investidor pode ser atribuído à sua capacidade de resist ir à tentação de constantemente comprar e vender. Nesse sentido, ele lembra que só devem investir em ações os investidores que conseguirem ver, mesmo que temporariamente, o valor de seu investimento cair 50% sem ter uma crise de pânico.

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Como as boas idéias morrem

by Fabricio on December 4, 2005

De acordo com um estudo recente da Fundação Getulio Vargas do Rio de Janeiro, mais da metade dos projetos iniciados pelas companhias não chegam até o mercado. E os que chegam sofrem diversas modificações que vão tirando o caráter inovador do produto. Nesse caminho até o consumidor, as boas idéias vão sendo bombardeadas, ignoradas ou até mesmo ironizadas. “É muito difícil para as empresas quebrar a inércia e introduzir produtos ou serviços revolucionários”, diz Richard Nelson, especialista em inovação da Universidade Colúmbia.

A inovação tem dois grandes inimigos dentro das empresas. Segundo 15 especialistas ouvidos pela Revista Exame, os gargalos mais comuns são a burocracia corporativa e a aversão natural que as empresas têm ao risco.

Conheça os inimigos da criatividade.

Burocracia

A idéia tem de ser aprovada por diversos setores. No caminho, acaba modificada e perde seu caráter inovador.

Aversão ao Risco

As empresas relutam em lançar produtos que de alguma forma se choquem com seu negócio principal.

Disputas internas

Brigas entre departamentos e seus respectivos diretores atravancam a aprovação ou liberação de dados para novos projetos.

Custos

Companhias descartam projetos inovadores sob a alegação de que a tecnologia necessária para implementá-las é muito cara e, portanto, inacessível.

Falta de comunicação

Líderes não conseguem envolver todos os funcionários no processo inovador, inibindo a aparição de novas idéias.

Fonte: Revista Exame com texto de Carolina Meyer e Felipe Seibel.

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25 Toques de Roberto Shinyashiki

by Fabricio on December 4, 2005

Por Roberto Shinyashiki.

1. Seja ético.

A vitória que vale a pena é a que aumenta sua dignidade e reafirma valores profundos. Pisar nos outros para subir desperta o desejo de vingança.

2. Estude sempre e muito.

A glória pertence àquele que tem um trabalho especial para oferecer.

3. Acredite sempre no amor.

Não fomos feitos para a solidão. Se você está sofrendo por amor, está com a pessoa errada ou amando de uma forma ruim para você. Caso tenha se separado, curta a dor, mas se abra para outro amor.

4. Seja grato a quem participa das suas conquistas.

O verdadeiro campeão sabe que as vitórias são alimentadas pelo trabalho em equipe. Agradecer é a melhor maneira de deixar todos motivados.

5. Eleve suas expectativas.

Pessoas com sonhos grandes obtêm energia para crescer. Os perdedores dizem: “Isso não é para nós”. Os vencedores pensam e m como realizar seu objetivo.

6. Curta muito a sua companhia.

Casamento dá certo para quem não é dependente. Aprenda a viver feliz mesmo sem uma pessoa ao lado. Se não tiver com quem ir ao cinema, vá com a pessoa mais fascinante: você!

7. Tenhas metas claras.

A história da humanidade é cheia de vidas desperdiçadas. Amores que não geram relações enriquecedoras, talentos que não levam a carreiras de sucesso. Ter objetivos evita o desperdício de tempo, energia e dinheiro.

8. Cuide bem do seu corpo.

Alimentação, sono e exercícios são fundamentais para uma vida saudável. Seu corpo é seu templo. Gostar da gente deixa as portas abertas para que os outros gostem também.

9. Declare o seu amor.

Cada vez mais as pessoas devem exercer seu direito de buscar o que querem (sobretudo no amor), mas atenção: elegância e bom senso são fundamentais.

10. Amplie os relacionamentos profissionais.

Os amigos são a melhor referência em crises e a melhor fonte de oportunidades na expansão. Ter bons contatos é essencial em momentos decisivos.

11. Seja simples.

Retire de sua vida tudo o que lhe dá trabalho e preocupação desnecessários. Crie espaço para desfrutar mais a viagem da vida.

12. Não imite o modelo masculino.

Os homens fizeram sucesso à custa da solidão e da restrição aos sentimentos. O preço tem sido alto: infartos e suicídios. Sem dúvidas, temos mais a aprender com as mulheres do que vocês conosco.
Preserve a sensibilidade feminina - é mais natural e lucrativa.

13. Tenha um orientador.

Viver é decidir na neblina sabendo que o resultado só será conhecido quando pouco restar a fazer. Procure alguém de confiança, de preferência ao mais experiente e bem sucedido, para lhe orientar nas indecisões.

14. Jogue fora o vício da preocupação.

Viver tenso e estressado está virando moda. Parece que ser competente e estar de bem com a vida são coisas incompatíveis. Bobagem! Defina suas metas, conquiste-as e deixe a neura para quem gosta dela!

15. O amor é um jogo cooperativo.

Se vocês estão juntos, é para jogar no mesmo time. Ficar mostrando dificuldades do outro ou lembrando suas fraquezas para os amigos não tem graça.

16. Tenha amigos vencedores.

Campeões falam de e com campeões. Perdedores só tocam na tecla perdedores. Aproxime-se de pessoas com alegria de viver e afaste-se de gente baixo-astral, que seca até espada-de-são-jorge.

17. Diga adeus a quem não merece.

Alimentar relacionamentos que só trazem sofrimento é masoquismo e atrapalha sua vida. Não gaste vela com mau defunto. Se você tiver um marido que não esteja usando, empreste, venda, alugue, doe e deixe espaço livre para um novo amor.

18. Resolva.

A pessoa do próximo milênio vai limpar de sua vida as situações e os problemas desnecessários. Saiba tomar decisões, mesmo as antipáticas. Você otimizará seu tempo e seu trabalho. A Vida fluirá muito melhor.

19. Aceite o ritmo do amor.

Assim como ning uém vai empolgadíssimo todos os dias para o trabalho, ninguém está sempre no auge da paixão. Cobrar de si e do outro viver nas nuvens é começo de muita frustração.

20. Celebre as vitórias.

Compartilhe o sucesso, mesmo pequenas conquistas, com pessoas queridas. Grite, chore encha-se de energia para os desafios seguintes.

21. Perdoe.

Se você quer continuar com uma pessoa, enterre o passado para viver feliz. Todo mundo erra, a gente também.

22. Tenha ídolos.

Uma pessoa que você admira é uma fonte de inspiração. Ajuda a tomar decisões e a evitar desvios de rota.

23. Arrisque!

O amor não é para covardes. Quem fica a noite em casa sozinho só terá de decidir que pizza pedir. E o único risco que corre será o de engordar.

24. Tenha uma vida espiritual.

Conversar com Deus é o máxim o, especialmente para agradecer. Ore antes de dormir, faz bem ao sono e à alma. Oração e meditação são forças de inspiração.

25. Planeje bem uma mudança.

Os arquitetos gostam de conhecer bem as pessoas e discutir o projeto antes de começar a obra. Fazer tudo de sopetão o leva a desgastes desnecessários. A melhor ação é a análise do novo projeto de vida.

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Financiar imóvel para viver de renda exige cautela

by Fabricio on December 4, 2005

Por Fernanda de Lima

Publicado originalmente no site InfoMoney

Preocupados em proteger suas economias, diante da forte instabilidade dos mercados financeiros, algumas pessoas acabam optando por investir todas as suas economias em imóveis.

O grande problema é que nem sempre esta decisão reflete uma análise cuidadosa dos objetivos da pessoa ao investir e, em alguns casos, a falta de entendimento dos custos envolvidos, sobretudo quando a compra do imóvel é financiada, torna o investimento pouco atrativo.

Financiar imóvel não é o problema Não há nada de errado em levantar um financiamento imobiliário. Muito ao contrário, não só se trata de uma forma de financiamento positiva, pois contribui para a formação de um patrimônio, como também de um financiamento de custos mais atrativos.

O problema surge quando o investidor opta por resgatar o dinheiro aplicado no mercado financeiro para dar de entrada na compra de um imóvel, com o intuito de viver da renda de aluguel deste imóvel. Ainda que possa haver situações em que esta opção seja justificada, esta não é uma alternativa recomendada, sobretudo para quem ainda não acumulou um patrimônio significativo.

Na maioria das vezes, a decisão se baseia na percepção de que investir em imóveis é a única forma segura de se aplicar o dinheiro, sobretudo em épocas de forte volatilidade do mercado. Ainda que investir em imóveis possa ser seguro, isso não significa que não haja outras opções de investimento que ofereçam segurança e garantam ao investidor uma melhor combinação em termos de risco e retorno. Até porque, no investimento em imóveis, não se pode esquecer do risco de liquidez!

Mas, é preciso fazer as contas!

Por mais que a taxa de juro esteja em queda, o reflexo disso no custo do financiamento imobiliário deve ser pequeno, até porque estamos falando de financiamentos de longo prazo, cujas taxas, além de mais baixas, tendem a ser mais estáveis. Ainda que o Governo tenha lançado medidas para incentivar a redução dos juros nos financiamentos através do SFH (Sistema Financeiro de Habitação), é de se esperar que ele seja de, ao menos, 1,1% ao mês.

Além disto, a maioria dos contratos prevê a correção da prestação com base na inflação ou na poupança. Apesar da desaceleração da inflação, não podemos esquecer que muitas vezes os salários não são reajustados na mesma proporção, de forma que o peso das prestações no seu orçamento pode aumentar.

Mas, como o objetivo aqui é entender se o retorno que será obtido no investimento vale a pena, resta comparar o custo do financiamento com o retorno do investimento, ou através do aluguel do imóvel, que gera uma renda mensal, ou através da valorização do preço do imóvel.

Considerando que os aluguéis variam entre 0,5-1,2% do valor do imóvel, antes do pagamento de impostos, o retorno depois de impostos cai para 0,425% e 0,85% ao mês, abaixo, portanto do custo do financiamento (ao menos 1,1%). Neste sentido, a operação não vale a pena. Se juntarmos a isto o fato de que o saldo devedor é corrigido pela inflação ou pela poupança, o que muitas vezes não acontece com o preço do aluguel, sobretudo nas regiões onde há excesso de oferta, a situação é ainda pior.

Custo de aquisição supera valor de mercado O retorno, em termos de valorização do preço do imóvel, também fica comprometido, pois se considerarmos que em geral no máximo 70% do valor do imóvel é financiado, isto significa que, em um imóvel de R$ 50 mil, o valor financiado é de R$ 35 mil.

Porém, se somarmos os gastos com juros, em apenas cinco anos, com juros de 1,1% ao mês, o total será de aproximadamente R$ 13 mil, dependendo do sistema de amortização utilizado e da correção do saldo devedor. Com isto, o custo do imóvel sobe para R$ 63 mil, ou R$ 15 mil pagos de entrada e R$ 48 mil equivalentes ao valor do principal e dos juros pagos no financiamento.

Na prática, isso significa que, para não sair perdendo em termos de valorização do imóvel, é preciso que o mesmo suba 26% no período, pois assim seu valor de mercado seria ao menos equivalente ao custo do financiamento. Porém, como na venda do imóvel você incorre em custos relativamente altos, como por exemplo, corretagem, escritura, registro em cartório e imposto de transmissão, a valorização deve ser ainda maior para que o retorno do investimento valha a pena.

A análise, ainda que simples, permite entender que, ainda que possa haver situações em que o financiamento de imóvel com o objetivo de investimento seja atrativo, é importante analisar todos os custos envolvidos na decisão, para não se acabar perdendo dinheiro. Neste sentido, um dos fatores mais importantes é a escolha do imóvel, uma propriedade em boas condições e localização por um preço abaixo do mercado pode oferecer um retorno atrativo, que compense o custo do financiamento. Mas, é preciso fazer as contas com calma.

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