Os investimentos de um taxista esperto

by Fabricio on October 10, 2005

Sueli Vital, P-NEWS

25 de abril, 2001

A aventura de pegar um táxi no Rio de Janeiro, partindo do Aeroporto Santos Dumont com destino à Barra da Tijuca, tinha tudo para se tornar insuportável pelo enorme congestionamento, mas foi salva por uma conversa fantástica que mais parecia uma aula de mercado de capitais com Jairo Arruda – o motorista do táxi.

Meu dileto condutor de 55 anos de idade – 20 deles passados em seu táxi - nunca compra nada a prazo.

“Quando me casei, quebrei o cartão de crédito de minha esposa. Jamais gasto o que não tenho e não pago juros para ninguém. Compro tudo à vista. Me privo de algumas coisas, mas durmo tranqüilo por não estar devendo a ninguém”, diz Arruda.

O taxista contou que viajava para o exterior todos os anos, quando nossa moeda estava forte. Seus colegas não entendiam como ele conseguia a façanha, algo impensável para eles.

“É muito simples: enquanto vocês pegam R$ 15 mil na financeira, pagam no mínimo R$ 25 mil no final das contas. Este é o dinheiro que eu economizo e uso para viajar”, explicava para os atônitos companheiros.

Hoje Jairo é um investidor que diversifica seu portfólio em nada menos que Fundos DI e ações do setor de telecomunicações e energia elétrica.

“Comprei agora, na baixa, e consegui, por sorte, vender as ações que estavam em minha carteira na alta. Neste mercado, é preciso ficar de olho, mas, às vezes, a sorte também decide”, avalia.

“Para saber se estou comprando um mico ou uma ação que a longo prazo me dê bons retornos, avalio se a empresa é sólida e verifico se há risco de quebrar”, diz ele.

Porém, em sua história nem tudo são flores.

“Há alguns anos, comprei ações da Arapuã, que foi a the best da bolsa. Ela chegou a bater em R$ 28 e eu comprei 10 milhões de ações por R$ 0,30. Mas ela entrou em concordata e não é mais nem negociada no pregão. Se a Arapuã se levantar e voltar a ser negociada, acredito que seu preço mínimo será de R$ 1. Aí, triplicarei meu capital”, diz, esperançoso.

Resta saber se a Arapuã voltará a ser negociada, quanto tempo isto ainda demorará e se realmente sua cotação será de, no mínimo, R$ 1.

Para Arruda, existem muitos patos na bolsa, que entram e saem sempre no prejuízo e que não sabem lidar com a ganância e o medo.

“Quando você compra uma ação e ela sobe, muitas vezes as pessoas não vendem movidas pela ganância, esperando uma alta maior. Aí, ela cai e o pato vende. Por outro lado, quando as pessoas começam a ter prejuízo, vão segurando a ação na esperança de que ela reaja e ela vai caindo mais ainda até que o pato vende com um prejuízo maior do que o inicial”, conclui o investidor.

Na opinião do motorista, quem conseguir dosar estas duas forças é um bom especulador.

Arruda tem uma teoria: é apanhando que se aprende.

“São experiências de anos. Você entra na bolsa, leva uma surra e sai depois de seis meses feito um cachorro magro. Pode ir embora e não voltar mais. Mas, se souber perder e ganhar, você continua e vale a pena”, ensina.

Ele finaliza dizendo que, com a caderneta de poupança rendendo cerca de 8% ao ano, muito abaixo do rendimento do Ibovespa e do Dow Jones nos últimos 10 anos, quem investe em ações tem de pensar a longo prazo.

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A ordem é pensar como empresário

by Fabricio on October 10, 2005

Carlos Armida, Patagon

26 de abril, 2001

A figura tradicional do empresário é a representada por uma pessoa que faz seu trabalho perfeito e se dedica a sua empresa de corpo e alma. De certa forma, o empresário vive para a empresa, o que não se aplica à maioria dos empregados.

Se você quer ser um executivo bem sucedido, a fórmula é simples: viva e trabalhe como um empresário. Faça de sua empresa não somente a empresa da qual você vive, como também a empresa para a qual você vive.

O que foi descrito anteriormente tem muitos significados e, neste momento, só irei abordar alguns, talvez não os mais importantes, mas começaremos por aí.

Em primeiro lugar, quero esclarecer que viver para a empresa não quer dizer, nem de longe, “viver na empresa”. Não é questão de estar lá o tempo todo, mas somente durante as horas em que podemos ser produtivos. Este é o primeiro passo: não “fique” na empresa somente por ficar, mas para produzir.

Muitos executivos pensam que são um bom enfeite para o escritório e que, quanto mais tempo passarem lá, mais contente ficará o chefe. De fato, existem chefes que apreciam esta “disponibilidade”, mas, felizmente, não irão durar muito nesta nova economia.

Hoje em dia, o importante é o que fazemos, e não o que damos a impressão de estarmos fazendo.

Aí, se encaixa o segundo ponto: o empresário traz resultados, ao invés de somente falar sobre resultados.

A inovação é, sem dúvida alguma, uma característica muito bem vista e necessária nos empresários. Este é o terceiro ponto: aja de forma inovadora e contribua para sua empresa, faça crer que a empresa é sua.

Tudo vale, inclusive novas idéias e maneiras de fazer as coisas. Não espere que lhe digam que você tem de mudar; antecipe essa necessidade. O empresário arrisca tempo, capital, esforço e seu prestígio. Pois bem, aí vai outro ponto em que refletir: arrisque, não seja conformista.

Não fique tranquilo e cômodo esperando que alguém faça as coisas por você. Você deve e pode fazê-las. Claro que sempre vai haver risco, mas lembre-se de que, quem não arrisca não petisca, e, pior ainda, se entedia, no sentido mais amplo da palavra.

Nesta nova economia, os executivos bem sucedidos serão os que compreenderem o que está acontecendo no ambiente de trabalho. Porque, se você ainda não percebeu, a maneira pela qual trabalhamos está mudando e, embora não se queira acreditar, de forma mais rápida do que gostaríamos que mudasse.

Desta forma, ou você muda ou fica de fora e o termo “de fora” quer dizer de fora mesmo. Somente os que demonstrarem grande capacidade de adaptação sobreviverão.

Você será um desses? Tudo depende de você, pois, agora, você já sabe como ser um executivo bem sucedido: é preciso se comportar como um empresário.

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Definindo metas pessoais com muita inveja

by Fabricio on October 10, 2005

Quero dar um basta a todas aquelas frases feitas, que dizem que inveja é uma M.., que é um sentimento pobre…Sei lá… Quem foi que começou com esta segregação sentimental? Você sente inveja de alguém, não sente? É claro que sim! Você é um ser humano. Todos os seres humanos vêm com estes defeitinhos de fábrica.

Inveja é que nem careca - quanto mais se disfarçar e se enganar, dizendo que ela não existe, mais aparente fica. Um careca será muito mais aceito pelo grupo dos metaleiros cabeludos se assumir honrosamente a sua lustrosa cabeça - talvez até criando um estilo próprio de careca.

Todas as características humanas devem ser vistas como dádivas divinas, e a inveja (assim como a careca) merece respeito, viu? O problema é a maneira como as pessoas lidam com este sentimento. Geralmente eu vejo aquele povinho sem graça, que jura por tudo na vida que não sente inveja de ninguém, e aquele outro grupinho que fica se roendo de inveja, com olhares cortantes e maldizeres para a pessoa invejada.

O mundo só cresceu por causa da inveja. Manoel tem inveja do vizinho que acabou de comprar um Porsche (caramba!). Só assim, o cara começou a trabalhar dobrado em sua empresa, para não se sentir por baixo. Manoel quer comprar logo uma Ferrari, para matar o seu vizinho de inveja! Por que ele quer fazer isto? Por pura vingança! Há! Há! Há!

Viva a inveja! Aceite este sentimento nobre como um forte aliado para seu sucesso na vida. Aprenda a se relacionar com esta raiva interna! Se você tem inveja de alguém que fez ou conseguiu algo que você gostaria de ter ou fazer, é sinal de que alguma coisa está errada na sua vida. A inveja é um aliado que o tira do marasmo, lembrando que você precisa se mexer mais para alcançar seus objetivos. É por isso, que o sentimento é ruim. Ele espelha uma frustração por alguma coisa que você não está conseguindo.

Você queria ser jogador de um grande time de futebol, e desistiu. Então, você vê na televisão que seu amigo de escolinha de esportes, Gilvanildo, vai jogar na seleção brasileira. Cara! Você finge que não, mas se morde de inveja. O problema é que o seu ex-colega de escolinha não desistiu. Você, sim.

A inveja pode ser encarada de forma depressiva, corroendo a sua auto- confiança e auto-estima, sempre lembrando de tudo o que você deixou inacabado na vida, ou pode ser encarada de forma positiva, gerando metas de qualidade pessoal e mostrando os caminhos por onde ir.

Imagine que dentro de sua empresa, você e o Zé lá do escritório, após cinco anos na mesma função, estão concorrendo por uma promoção. O chefe de vocês entra na sala, e diz que o Zé é o novo promovido da empresa. O seu sorriso fica amarelo e dissimulado, seu peito aperta de raiva, e você jura que está sendo injustiçado pelo seu chefe.

Mas, afinal, por que o Zé foi escolhido? Este é o melhor da inveja. Ela acabou de mostrá-lo que o Zé fez alguma coisa a mais do que você. Analise o Zé, de forma crítica, e veja o que foi, em suas táticas de marketing pessoal ou sua forma de trabalhar, que fez a diferença. Use o seu novo supervisor, o Zé, como uma meta a ser atingida. Aliás, faça ainda melhor: Atinja esta meta! Quando você não sentir mais inveja do Zé, você conseguiu chegar onde queria!

E vamos combinar o seguinte: a partir de agora, “A inveja é uma fada”!

Rico de Moraes (http://www.mgroupconsultores.com.br)

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A incrível Madalena e os 5S

by Fabricio on October 10, 2005

Por Armando Pastore

- Gostaria de convidar os participantes para contar suas experiências pessoais sobre o tema.

Essas foram as palavras que o instrutor, Carlos, do “Curso de Qualidade Total e os 5S” pronunciou. Essa foi a deixa para que Madalena também se manifestasse.

- Eu tenho, sim !!

- Pois não Madalena…

- Hoje, Carlos, pode me chamar apenas de Mada.

Os demais participantes que conheciam MadaLena superficialmente suspiraram. Quem a conhecia mais de perto ficou suspeitosamente olhando para o teto. Os mais íntimos - soube depois - se arrepiaram.: Aí tem coisa!!!!.

Conheci MadaLena durante aquele curso. Trabalhávamos na mesma empresa pública, ela, em Brasília, eu, em São Paulo. Estávamos sendo preparados para multiplicar a ferramenta de qualidade: 5S.

MadaLena tinha pouco mais de 46 anos, 22 de serviço público, mais da metade exercendo cargos de chefia. Não havia na empresa quem não a conhecesse. Mineira de Belo Horizonte, MadaLena havia chegado adolescente a Brasília. Casou-se com outro mineiro, com quem teve cinco filhos. Separou-se quando - palavras dela - descobriu que o marido estava fazendo outros cinco filhos com a secretária. Sua vida pessoal era quase previsível. Quando, ao receber o bom dia dos colegas respondia: Hoje podem me chamar de Mada, todos já podiam ficar esperando um dia cheio de trabalho, cobranças, mau humor e muita, mas muita crítica. Quando dizia que poderiam chamá-la de Lena, todos entravam em êxtase. Nos dias de Lena ela era simplesmente a melhor chefe do mundo. Uma pessoa aberta, bem humorada, prática, companheira etc.

Mada, levantou-se, foi para o flip-chart e pegou vários pincéis atômicos.

- Primeiro quero que vocês todos pensem por que estão trabalhando no serviço público…

- Cada um terá suas razões pessoais, mas acho que posso explicar utilizando o 5S positivo e o negativo…

Carlos interveio:

- Mada, permita-me dizer que não existe 5S negativo ou positivo.

- Já ouvi você Carlos, por mais de 12 horas. Agora, por favor não interrompa, disse Mada com rispidez.

Dirigindo-se novamente à platéia, Mada continuou,

- A maioria dos funcionários públicos - e não servidores, odeio essa palavra, começaram a trabalhar por causa do primeiro S : o do Salário. Na minha opinião, é inegável que os salários das organizações públicas são superiores, na média, aos oferecidos pela iniciativa privada.

- Em segundo lugar, quase que empatando com Salário, vem o segundo S, o da Segurança. Dificilmente - aliás, somente em casos extremos - é que podemos ser despedidos. Uma vez dentro do serviço público, quer trabalhemos muito bem, quer apenas realizemos o mínimo necessário, jamais teremos problemas com nossa segurança profissional e financeira.

- O terceiro S é o da Satisfação. Depois desses 2S anteriores passamos a procurar no serviço público aquilo que pode nos deixar satisfeitos. É a partir deste ponto que os 5S podem tornar-se positivos ou negativos.

Enquanto falava, Madalena ia colocando no flip, com letras azuis e vermelhas cada um dos S que havia mencionado, ressaltando as primeiras letras e procurando trazer toda a atenção para ela. Diga-se de passagem, MadaLena era uma excelente apresentadora.

- Se a pessoa está satisfeita com o que faz, poderá sempre fazer melhor, estará sempre se desenvolvendo, estará sempre em sintonia com os objetivos da organização e conectada com seus anseios pessoais. Entretanto, se ela não obtém Satisfação no trabalho, vai para o próximo S.

- S de Sacrifício. É isso mesmo! Sacrifício de estar todos dos dias, fazendo o mínimo possível, sacrifício de ver pessoas, de atendê-las, de realizar qualquer tipo de trabalho. Trabalho que é um verdadeiro castigo.

- Não obtendo resultados em nada do que possa transformar, o funcionário público vai para o último S negativo, o do Suicídio. Um profissional que se torna um zumbi, um morto vivo que faz, sem saber por que faz. Um zumbi que está sempre reclamando da vida, do trabalho, das pessoas, um verdadeiro parasita das nossas organizações. Bom exemplo de Suicida é aquele a quem você pergunta como ele vai e ele responde que só está esperando a aposentadoria. Você pergunta quanto tempo falta, e ele responde que faltam 7 anos. Esse funcionário já morreu! só esqueceram de enterrá-lo.

Carlos, ainda que tentou interrompe-la mais uma vez, pois estava pressentindo que o curso iria terminar, o que evidentemente, de nada adiantou.

- Acho que você pediu que eu contasse minha experiência pessoal sobre 5S. Se não vale ter 5S na vida, de que vale para qualquer organização que se pretenda moderna? Perguntou Mada.

- É que… Carlos tentou

- Não tem que e nem mais quê… Nossa participação neste evento tem que ser verdadeira e não um jogo de faz de conta. Ou você acredita no que está fazendo, ou vira um zumbi como a maioria dos funcionários públicos. A empresa finge que paga e o sujeito finge que trabalha. Não, isso não é desenvolvimento!

- Não estou aqui para fingir que irei por em pratica os Sensos que você apresentou. Ou todos nós realizamos juntos, ou estamos perdendo o seu tempo, o nosso tempo e o tempo da organização!!

Mada, então pegou um pincel atômico e desenhou no flip o seguinte esquema :

OS 5S DA VIDA

S - SALÁRIO

S - SEGURANÇA

S - SATISFAÇÃO

NEGATIVO POSITIVO

S - SACRIFÍCIO

S - SUICIDIO S - SUCESSO

- Agora, quem consegue Satisfação no trabalho, tem e terá muitas chances de alcançar o último S positivo , o do Sucesso…

- Sucesso, vem do latim sucessus-üs, que significa aquilo que sucede, bom êxito, resultado feliz, sucessão, que quer dizer uma coisa após a outra. Isso é que é sucesso. As pessoas de sucesso realizam pequenas e grandes tarefas. Terminam as tarefas que estão executando e começam as seguintes com o sentimento de estarem realizando algo conectado com seus objetivos pessoais; desenvolvem-se; participam de um processo de desenvolvimento em qualquer tipo de organização.

Contrafeito, Carlos tentou ainda mais uma vez…

- Mas, Mada, permita-me interrompê-la mais uma vez, mas nos 5S positivos que você escreveu só tem quatro. Não lhe parece que algo está em desacordo?

Meio irônica do alto de seus 22 anos de experiência, Mada contrapôs.

- Meu caro instrutor, quem utiliza o 5S positivo, sabe que na atual conjuntura não é preciso mais do que quatro. Os funcionários que utilizam os 5S positivos estão sempre com o foco nos objetivos, ou se preferir no ASSUNTO - só na nesta palavra temos mais dois esses. Pense comigo; tudo que você está dizendo desde segunda feira é o mínimo que podemos fazer no nosso dia a dia. Quem pratica o 5S positivo, economiza tempo e realiza tudo o que você falou em apenas quatro etapas.

- Não existe nada mais sério do que Salário, Segurança e Satisfação, desde que isso venha acompanhado do Sucesso pessoal. Sem esses pré-requisitos os sensos, de arrumação (seiri), de ordenação (seiton), de limpeza (seisoh) de asseio (seiketsu) e de auto-disciplina (shitsuke), de nada adiantam.

Retrucou MadaLena, tentando pôr um fim na sua apresentação.

O silêncio que se fez era constrangedor. Mal refeita do susto, a platéia pôde ainda ouvir Mada dizer:

- Temos que raciocinar sobre o que temos de realmente atacar. A ferramenta que nos foi apresentada sem dúvida é válida. Mas, sempre existirá um mas… estamos atacando as causas ou as conseqüências ?

- Só quem trabalha com os 5S positivo, pode explicar as razões de encontrarmos nos corredores das nossas instituições públicas, funcionários que vivem bem, transpiram felicidade, alcançam resultados, vivem em sintonia com as demais pessoas e percebem-se úteis à sociedade, que paga nossos SALÁRIOS.

- Para essas pessoas especiais, 5S é uma ferramenta um pouco mais sofisticada, muito parecida com aquilo que fazem no seu cotidiano.

- Antes de terminar, gostaria de pedir que todos refletissem sobre a utilização que cada um faz dos sensos que o Carlos apresentou.

Todos aplaudiram MadaLena. No meu relógio já eram quatro da tarde e estávamos encerrando o evento. Naquele momento, o evento, para desespero de um Carlos atônito, estava terminando.

Sem saber, MadaLena, tinha aplicado o primeiro nocaute no processo de Qualidade Total. Alguns anos mais tarde ninguém mais falaria em 5S, ainda menos em qualidade.

Essa história persegue meus pensamentos. O que MadaLena falou naquela tarde foi uma lição importante. Sempre que estou desenvolvendo algo novo lembro-me dela.

Uma indagação até hoje me persegue: afinal de contas, quem apresentou os 5S da Vida, foi Mada ou foi Lena?

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Uma grande lição de vida

by Fabricio on October 10, 2005

por Aparecida de França Sales (Cida)

Surpresa com a energia que sinto da vida, estou sempre em atividade, em constante movimento. São estas condições que me fazem assumir responsabilidades, principalmente na família e na comunidade, dois mundos em que coloco meu verdadeiro interesse.

Esposa do astro rei da família Sales, o Paulo, e mãe de 3 criaturinhas maravilhosas, Tati, Juju e Lina, cada uma com seu curso acadêmico e vida profissional completos, um dos meus sonhos realizado, ao longo de anos de trabalho árduo meu e do Paulo (astro), saindo às 5h da manhã, de retorno às 00h do mesmo dia.

Trabalho árduo que também nos presenteou com nosso apartamento, nosso lar, carro, telefone, que naquela época era privilégio ter linha, e conseguimos, e uma vida bastante confortável.

Quando as pimpolhas já formadas, com minha formação técnica contábil fui convocada ao serviço administrativo na Secretaria de Segurança Pública Municipal, e por ali descobri ser possível ter o meu próprio negócio. Marido já estabelecido em seus projetos de edificações, colaborando em parceria no projeto da pousada no Litoral Norte Paulista (www.tocadapraia.com.br), abri meu primeiro negócio. E aí com toda inexperiência e seqüências de erros, deu-se o início da grande virada.

Vamos começar a aventura de meio século de vida e vitórias de uma família; família é nosso fã-clube do peito, do coração, e é aí que devemos toda nossa importância e potencialidade do que somos.

No exercício de 2003, ou seja, em 12 meses, perdi quase tudo que havia conquistado nesses 46 anos de vida, restaram minha dignidade e meu apto. Pode crer é isso mesmo. E tudo por efeito de “N” erros seqüenciais, falta de competência, cansaço físico e mental, e dissabores que a própria vida se incumbe de nos presentear. É sim, presentear, porque é daí, desses dissabores, que crescemos e como crescemos.

Quando me vi nocauteada e notei no semblante do sparring, já estava pronta a toalha a ser jogada no ring da vida, eu disse:

- Cida isto precisa mudar.

E mudei. Foi isso, mudei tudinho na minha vida. Comecei pelo meu maior ídolo, meu astro rei, carinhosamente meu fofo que estava muito entristecido com tudo o que estava ocorrendo em nossas vidas. A parceria da pousada no Litoral Norte havia se desfeito, eu por conseguinte, não tive capacidade suficiente para bem administrar o escritório que por hora havia aberto.

Ele, com 53 anos, encontrar oportunidade onde? Recomeçar do zero. Quando não se encontra oportunidade então produzimos uma, e assim foi feito.

A partir deste ponto, tudo que aconteceria dali em diante seria uma grande possibilidade de se reerguer e recomeçar, disso eu não tinha dúvidas. Num retiro de 2 dias na casa do meu pai e pensando na vida, cheguei a um resultado positivo. Mudanças!! Adentrando em casa após o retiro, vi meu fofo na maior depressão, baixou o “5 minutos” em mim, e da porta da sala disse a ele:

- Benhê… vou vender água no farol!!

Pronto, estava declarada a sentença da mudança. O Paulo acordou, ficou possesso; bem ele já se mexera, era o que eu queria. Afinal se eu queria que acontecesse alguma coisa, então aconteceu alguns momentos de tensão e foi aquele forrobodó.

O Paulo virou uma fera. Indignado mesmo e não entendia porque eu ia fazer aquilo. Eu vender água no farol, não tinha cabimento, ele dizia. E olha que ele é mineiro e mineiro geralmente é calmo. Imagine o caos.

Na mesma noite, a convite do professor da Lina (minha caçula), fui participar de uma apresentação de empreendedorismo na faculdade dela. Deixei o Paulo falando sozinho e fui explanar empreendedorismo para a nova geração.

Foi a glória! Nesta apresentação que fiz à classe, tive a certeza que eu estava certa, tinha que ir para o farol, e pensei, era a única maneira de tirar o Paulo daquela tristeza, daquele momento de desesperança, sabia no meu íntimo que ele ia aprender algo até nunca pensado antes, ia ter uma atividade agitada, desinibida, uma possibilidade que precisava aparecer, o contato com as pessoas, com os empresários que viajam para o interior e param no farol, era também minha chance.

Foi engraçado, por que enquanto eu falava, intimamente a certeza ficava mais profunda na decisão que eu tinha tomado. Sim, e o Paulo ficou em casa amuado, brigamos muito mesmo, mas não arredei pé.

No sábado, fiz o que havia dito na quinta, comprei 1 caixa de água. Na sexta ficou gelando à noite e no sábado fui para o farol. Arranjei um carinho aqui, comprei uma caixa de isopor grande e enchi de copo de água.

Quando ele viu que eu ia mesmo ele foi junto e tomou a frente, mesmo amuado, mas foi… rsrsrs Uma hora depois, fui comprar outra caixa e as pessoas pediram suco. Fui e comprei e assim estamos até hoje, de suco e de água no farol e na feira aqui perto de casa. A saber, um copo de água pagava no atacado R$ 0,15 e vendemos a R$ 1,00. O suco pago R$ 0,50 e vendo a R$ 1,00. No calorzão mesmo é uma mina de dinheiro(maneira de falar, claro… mas pra quem estava se enterrando na tristeza como vi meu amor Paulo, é uma mina sim).

Olha só como são as coisas, vai daí que esses dias chegando em casa depois de um dia de farol, toca o telefone e uma empresa de um conhecido nosso chamou o Paulo pra trabalhar como representante comercial. Veja a experiência da água no farol pra que serve. Ele é outro homem, outra pessoa, viu que pode, que ele tem uma vida toda pela frente pra viver com decência e tem talento para desenvolver em prol dele, e da própria vida. Precisa de ver que transformação incrível aconteceu. A atitude que ele tomou para vida. Foi algo inenarrável.

Hoje ele vê e enxerga a vida com horizonte próspero. Não pelo dinheiro que digo isso, mas pela busca de uma vida melhor, pela produtividade do seu interior pessoal. É lindo de ver ele assim a todo vapor, empolgado fazendo acontecer! A sua disposição sincera o levou a vencer todos os obstáculos!

Bem ele ficou com a representação da loja, participou de palestras de motivação da Venda Mais, foi no Sebrae e fez um curso de representação comercial, para entender mais sobre o assunto, e no final de semana vai para o farol vender suco, acredita nisso! E ele diz claramente sem pestanejar, depois que ele aprendeu a vender água e suco agora nunca mais ele fica sem um tostão no bolso!! Rsrs

Sem dizer o astral dele, que está ótimo, é legal não é! E além do mais, logo logo estaremos de carro, e isso vai facilitar bastante, imagina isso… rsrs

Pensa que parou aí… tem mais…

Eu nessas andanças de buscar as coisas, oportunidades e por aí a fora, descobri que lá em São Roque, 30km daqui, ia acontecer um vestibular, 9/11/2003 e que os 20 primeiros aprovados teriam direito a uma bolsa de estudos na disciplina de Direito no período da manhã.

Não pensei duas vezes, me inscrevi. Dia 9/11/2003 estava eu lá, no meio daquela moçada toda fazendo o vestibular, a cabeça estava a mil porque tinha brigado com o Paulo, mas fui assim mesmo. Bem, passei no vestibular, mas não consegui a pontuação para me beneficiar da bolsa de estudos. E mesmo assim fiquei feliz, porque esta experiência mostrou que ainda posso concorrer com essa meninada de hoje. E daí vai que por onde eu ando vou distribuindo curriculum e minha apresentação de trabalho, o que é de praxe em mim. *rs

Pois bem, dia 14/11/2003, me liga aqui a Bit Company (www.bitcompany.com.br ), agendando uma entrevista para a segunda, 17/11/2003, às 15h. Normal, falei para meu fofo Paulo e para as meninas, deve ser pra vaga de copeira, porque eu lembrava que tinha uma placa de precisa-se de copeira e recepcionista lá.

Fui na tal entrevista quando, de surpresa, fui conduzida a uma sala que estava com uma meia dúzia de empresários, gerente de empresa, profissionais da área, bem trajados, de gravata, aquelas bolsas pretas lindas, profissionais mesmo, as mulheres todas no salto. Apesar de eu estar bem trajada, eu pensei, nossa, estou na sala errada! Quando naquele momento fiquei sabendo que eu estava concorrendo a uma vaga para instrutora de Gestão Empresarial. Ahahah… até me belisquei… não acreditava no que estava acontecendo… ahahahah

Conclusão, entre os profissionais de carreira, tinha um que dava aula há 15 anos, outro gerente da Astra Zeneca (o laboratório que faz a vacina da AIDS. O Cazuza veio se tratar aqui na Astra). Nossa!! Pensei, concorrer com essas feras não tenho a mínima chance, mas meu curriculum estava lá no meio do deles… rsrs

Foi um dia de entrevista, uma prova de desenvoltura e exame psicológico. 3 dias depois fiquei sabendo que fui selecionada. Você acredita nisso? Nem eu… rsrs Me belisca, porquê eu ainda estou sonhando… rsrs Vou dar aulas à noite de GEA - Gestão Empresarial: Administrativo, Contabilidade, Empreendedorismo e mais toda a motivação e ânimo que tenho de viver… calcula o que é isso… para quem foi disposta a uma vaga de copeira! ;)

Daí que chegamos no dia 05/01/2004, fui iniciar as aulas do novo ano, e para mais alegria minha, veio o convite formal para ministrar aulas, de dia, sobre QUALI - Qualificação Administrativa com ênfase em Informática, e também o que me fez a pessoa mais feliz do mundo, dar palestras aos empresários da região… ou seja, mirei no que vi e acertei no que não vi.

São palestras, na verdade, com o intuito de elevar o nome da escola da qual dou aulas e com o conteúdo das aulas, que nada mais são do que tudo o que trabalho: empregabilidade. Falo por todos os ventos, entretanto é esta oportunidade que eu precisava, justamente pela dificuldade e momento que estava passando. É tudo o que eu queria na vida. Detalhe, é aqui bem pertinho de casa, vou a pé… rsrs

Seguir em frente e com coragem, nesta nova empreitada estou preparada, com toda força que tenho, porque sei que estas palestras, mesmo sendo a princípio em prol da escola, com meu talento, mais uma vez a serviço do bem da vida, a serviço do profissionalismo meu e de todos que me rodeiam, desenvolvendo meu trabalho com amor, vou abrir este campo empresarial para outros motivos de palestras, quem sabe no segmento de motivação, contabilidade para contador, dentre outras, sem abrir mão das conquistas que fiz e estou fazendo neste belíssimo presente de natal que se pôs a minha frente.

Tenho coragem e não desperdiço energia sempre cuidando dos meus pensamentos, dos meus propósitos, acreditando na minha capacidade e sei que tudo sempre da certo. Não sou presunçosa, mas a fé que tenho na vida é mesmo a nutrição que mantém meu corpo sadio e mente sã, conseqüente e obviamente, com o apoio da minha família, do meu fofo e amigos, mas se não fizermos nossa parte de nada valeria tudo isso não é verdade.

É isso, sei muito bem que fazemos parte do espetáculo da vida e bem por isso, devemos aproveitar muito o que ela tem a nos oferecer a todo instante. Definitivamente, Papai Noel foi generoso comigo, ganhei um baita presente de natal. Agora dá para calcular como estou de felicidade nessa minha vida.

Verdade seja dita, bendita seja a hora em que meu instrutor de IPGN me recomendou o grupo de emprBr (Empreendedor do Brasil) para ingressar. Aprendi muito neste grupo de conversação, vi nitidamente meus erros, onde falhei. Hoje, as vezes, comento com o Paulo que muitos erros cometi. Hoje, aprendi como fazer.

Talvez não tivesse fechado meu escritório se tivesse o aprendizado que tenho hoje, aprendizado este que obtive primeiramente no grupo. Não falo isso por hipocrisia, me sinto bem sim em nosso grupo, participo de outros grupos, mas desde o primeiro contato no emprBr fui muito bem recebida, por igualdade de condição, aprendi e até hoje aprendo bastante com todos, assuntos que são abordados, me sinto totalmente a vontade e confortável e dele vieram outros grupos, tão bom quanto, e os amigos que conquistei, minha nossa, são maravilhosos, alguns já vieram aqui em casa, tenho amigos aqui que é para toda vida, prezo muito as amizades. Digo sempre: posso perder meus amores, sofrerei muito, mas se perder meus amigos, sofrerei muito mais. *rsrs

Tenho um amor incondicional por todos, sobretudo os amigos especiais. Não citarei nomes para não cometer injustiças, uma coisa é certa a lista é longa e faço muito gosto que todos venham aqui em casa, é um prazer receber a visita de amigos como os que conquistei aqui.

Tenho um casamento de 30 anos, e acredito que um bom casamento não tem fórmula para dar certo, mas tem algumas regras que precisam ser seguidas. A primeira delas é investir no casamento a fundo perdido e a segunda é não fazer contabilidade. Mais que isso, para acabar com um casamento, basta colocá-lo na ponta do lápis! Sabemos que não tem casamento que é uma eterna história de amor. Sobrevive-se enfrentando crises e situações que aparecem ao longo da vida. Mas ele perdura porque a gente quer que perdure, porque a gente quer que de certo e dá certo. Casa-se por amor, por hormônio, paixão, tesão e mantem-se por sabores, dissabores, alegrias e dureza do dia-a-dia.

É isso. Concilio nos grupos de conversações e vejo tudo isso de uma forma muito cordial e profissional, quase como um casamento. Em todas mensagens redigidas, é uma busca de dar certo, de encontrar caminhos e alternativas para que as ações dêem certo e as respostas estão em todos os componentes, que se respeitam, se compartilham e se doam para um só bem, cada um em sua peculiaridade. E tudo isso é NOSSO e quando digo NOSSO, entenda-se, toda humanidade ilimítrofe, a nossa nação.

Como empreendedora deixo meu agradecimento a minha família, meu marido/ídolo Paulo, hoje 2004 ele voltou a estudar e esta foi minha maior vitória dos últimos tempos. Agradeço ao meu amigo Omar Queiroz, a todo o Grupo emprBr, a todos amigos que conquistei até hoje através deste canal de conversação aparentemente frio e que tem a magia de nos fazer mais felizes. Um carinho em especial ao meu amigo Ivan F. César, por seu convite publico para expor esta mensagem, e deixo minha admiração pela lisura e competência a qual administra o grupo EmpreenderParaTodos.

Aparecida de França Sales (Cida)

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Sobrevivi ao MMN

by Fabricio on October 10, 2005

Caros empreendedores

Volta e meia o assunto marketing de rede, ou multinível, ou simplesmente MMN, resurge na presente lista.

Quanto a isto creio ter uma ou outra palavra a respeito do assunto. Leiam como um depoimento de minhas próprias experiências apenas. Não defendo nem condeno o MMN. Quero apenas apresentar alguns aprendizados que obtive na prática. Se servirem para alquém, fico feliz.

Comecei a ouvir falar de MMN de um colega de colégio, lá pelos idos de 1990. Era uma tal de Amway, que vendia produtos como shampoos e qua pagava comissão para quem cadastrasse mais consumidores. Entrou por um ouvido e saiu pelo outro rapidinho.

Muito tempo depois num certo livro que dá nome à lista o assunto voltou a me encontrar. Já estava em 2002. Fiquei curioso, mas não fui adiante. Até porque aquela estória que meu colega de colégio havia me aprensentado nunca tinha dado em nada.

Num belo dia me cai na caixa de entrada um e-mail de um cara fazendo propaganda de um certo Caixa Rápido, dizendo ser uma empresa 100% nacional que vendi produtos de primeira necessidade através de MMN. Não façam isso em casa, mas eu abri o e-mail. Acessei o site e reparei que o conceito era bem parecido com o que o livro sugeria. Mas ainda não foi desta vez.

Em um outro momento fiquei sabendo, aqui nesta lista, que um grande ícone do Caixa Rápido trabalahava na mesma empresa que eu, só que em outra cidade. Já tá passando da hora de licitar a ampliação do mundo! Busquei na lista de e-mail da empresa e lá estava o nome do cara. Ôpa, assim fica mais fácil. O cara trabalhando na mesma empresa eu posso confiar mais, pensei. Entrei em contato com ele, que confirmou ser o astro do momento no Caixa Rápido. Na época o cheque de cerca de R$8.000 que ele recebera há pouco do MMN era conhecido em todos os detalhes pois até imagem dele rolava na rede.

Aí eu comecei a pesquisar a sério o assunto. Muitas mensagens aqui na lista, muito e-mail trocado com o astro, vários livros sobre o assunto (pelo menos 05 que me lembre), entrevista com pesquisadores do assunto como o Sérgio Buaiz, acesso a sites de inconformados com o MMN, pesquisa sobre a legalidade do modelo de negócio, etc. Mas ainda não estava satisfeito. Resolvi participar de uma reunião da empresa em SP. Fui lá olhar no olho do cara e dos outros que promoviam o negócio. Achei legal, meio ufânico o hino nacional, mas tudo bem. Levei algumas perguntas constrangedoras para testar o sistema e recebi boas respostas.

Percebi que já sabia cerca de 90% de todo o assunto relativo a MMN e que esperar para saber os 10% restantes só me manteriam na inatividade. Resolvi agir a entrar na rede do astro. Afinal, na pior das hipóteses eu perderia todo o investimento, que não era tão pesado para o meu bolso, e mesmo assim obteria o aprendizado prático que livro nenhum ensina. Achei que valia a pena o risco. Se tudo desse certo eu ficaria milionário colocando os outros para trabalharem para mim.

Recebi o kit, estudei o material, comecei os contatos… E os problemas surgiram. A reação das pessoas foi pior do que eu imaginei. A resistência era muito maior do que previra, mas meu patrocinador sempre me deu todas as dicas de como superá-las. Com isso fui evoluindo na argumentação a ponto de patrocinar algumas pessoas. Aprendi muito sobre vendas nesta época, por tentativa e erro mesmo. As resposta prontas ensinadas nos livros e pelo patrocinador ajudavam a impressioanr os prospectos. Passavam um ar de domínio do assunto.

Mas quase todos diziam: “Xiii, é tipo a Amway, né?” E lá se ia eu repetir a ladainha das diferenças entre um modelo e outro, a evolução do MMN neste tempo, as desvantagens que a Amway tinha que a minha empresa não tinha, etc.

E eu entrava em contato com conhecidos, com desconhecidos, participava de listas de discussão jogando a isca para detalhes em PVT, ligava para todo mundo que conhecia, falava com os colegas de trabalho, etc. Enfim, sei que fiz o que podia fazer para o negócio dar certo.

Mas ele não decolou.

Comecei a perceber que estava saindo muito caro investir na propaganda já que o retorno tinha sido nada até então. Um dos meus patrocinados chegou a patrocinar outro, mas foi só. Apoiei todos eles, mas o ferio de mão pareceia estar puxado. Sei que MMN depende de tempo para dar retorno, mas comecei a perceber que a idéia não era tão maravilhosa assim como foi apresentada. E os motivos que me levaram a concluir isso foram os seguintes:

- A cartilha do MMN reza que a propaganda boca a boca é e melhor do mundo, é a mais eficaz e a de menor custo. Por isso o MMN seria tão fantástico pois bastava fazer a tal propaganda boca a boca que as coias dariam certo. Ledo engano. Existe uma grande diferença entre propaganda boca a boca de MMN. Para ilustrar que diferença é essa imagine que você esta assistindo a uma palestra em que o palestrante defende uma certa solução para um problema. Ele expões todas as vantagens da solução e todas as consequências negativas do problema. Você começa a concordar com ele pois os argumentos são muito procedentes e lógicos. Só que no final da palestra ele diz que tem um livro, um software ou um elixir que resolve tudo aquilo em dose única, que basta você passar no balcão que está na saída do auditório e adquirir o seu kit solução para que seus problemas acabem. Qual é a sensação que te acomete?

Não sei vocês, mas já passei por palestras assim e minha única conclusão foi: “putz, passei este tempo todo ouvindo este cara dar uma de entendido no assunto quando ele só queria vender os produtos dele. Não acredito que passei este tempo todo ouvindo uma propaganda disfarçada de palestra.”

Propaganda boca a boca legítima é aquela em que você assite a um filme, gosta dele e recomenda a um amigo que sabe que irá aprecia-lo também. Ou seja, ela é totalmente despretensiosa. Propaganda de MMN é aquela que ou você recomenda o filme para todo mundo ou recomenda qualquer filme para aquele mesmo amigo. Na mesma hora as pessoas sacam que você não está fazendo a legítima boca a boca e sim exercitando seu lado vendedor, de olho na comissão. E aí vai-se ou a venda, ou a amizade, ou ambos.

- No caso específico do Caixa Rápido eu percebi, muito tarde, que o produto não era muito adequado para o sistema MMN, pois são os mesmos que você pode encontrar no supermercado. A Mococa, por exemplo, foi comprada pelo Caixa Rápido, mas qualquer um pode comprar creme de leite dela no supermercado da esquina. Isso cria um termo de comparação. Posso comprar a um preço conhecido o tal produto na quantidade que quiser, quando quiser, se quiser, e não num kit de preço fixo que sou obrigado a adquirir todo mês, quer eu precise dele ou não. Produtos exclusivos do MMN têm um apelo de venda muito mais forte.

- Ganhar dinheiro sem trabalhar, só recebendo as comissões do consumo de sua rede? Esqueçe! Essa de moleza eu nunca acreditei e a prático só comprovou minhas suspeitas. Nunca imagine que você vai ligar uma máquina de fazer dinheiro para você movida a MMN. Tem que correr atras dos prospectos, tem que treinar, que ler, que estudar, que dar a cara a tapa, etc. Enfim, como em qualquer outro negócio lícito, tem que ter 10% de inspiração e 90% de transpiração.

- E aquela de só trabalhar nas horas vagas? É outra furada. Se você tem seu emprego e for dedicar só as horas de folga dele para o MMN você vai perceber que seu emprego é que toma suas horas vagas, e não o contrário porque no MMN o negócio é seu e ele só decola se tiver muita dedicação que depende só de você. Não tem estagiário, nem secretária, nem equipe para dividir as tarefas, nem tia do cafezinho. É tudo com você, caro presidente-zelador. A coisa piora quando nem durante o emprego você consegue parar e começa e ser “aquele cara que só fala nisso agora”.

- Para piorar você vai ser ensinado a pensar igual a todo mundo da empresa de MMN a que você pertence. Com o tempo seus argumentos começam a ficar igual ao de todo mundo, suas respostas começam a ser as mesmas, os argumentos idem, etc. Você não percebe, mas sua identidade começa a ser diluída. E aí de você se ousar ser crítico (como estou sendo agora) em relação ao sistema. Até para desacreditar estes rebeldes já existe um discurso preparado. “Ah, é que esse cara não se esforçou o bastante”. “Ah mas também, sem ter fé em si mesmo não dá certo”. “Olha, se ele não deu certo nem com o MMN, que é tão fácil, é porque não vai dar certo com mais nada”. “Não sabe do que tá falando”. “Este é só um aventureiro que não se dedicou com afinco e que depois sai por aí falando mal do MMN”. “Sucesso não é para todos mesmo”. “Nossos grande diamantes começaram como todos nós, do zero. Se eles conseguiram então qualquer um consegue.”

Creio que qualquer sistema que parta do presuposto de ser perfeito e que qualquer insucesso se deva a casos isolados de incompetência individual está mais para religião fundamentalista que para sistema de negócios.

Sei que a esta altura do texto os apaixonados por suas empresas de MMN já estão com todos os arquumentos na ponta do teclado para provar o quanto estou errado. Por favor não percam seu tempo. Como eu disse no começo do texto, isto é apenas um depoimento. Não estou defendendo nem promovendo o MMN, apenas jogando farofa no ventilador.

Não estou fazendo críticas ao sistema, apenas dizendo quais foram minhas impressões ao testá-lo na prática.

Hoje já não faço parte de nenhuma empresa de MMN, por isso me sinto totalmente à vontade para dizer que sobrevivi ao MMN. Perdi muito pouco dinheiro e ganhei muita experiência. Hoje uso com muito mais sucesso muitas das técnicas de vendas que aprendi naquela época, só que com os produtos que vendo hoje.

Não estou dizendo que Caixa Rápido e Amway sejam boas nem ruins. Simplesmente digo que não serviram para mim. Pode ser que sirvam para você. Só você saberá.

Já recebi ofertas de entrar em outras empresas de MMN e rejeitei todas. Não por preconceito devido à experiência passada, mas por avaliar o modelo de negócio e percerber que padecem sempre dos mesmos males. Pode ser que dê certo, mas não estou disposto a pagar o preço. Creio que posso investir meu precioso tempo em coisas mais produtivas e rentáveis.

Sugestão para quem quer entrar no MMN? Pesquise, avalie os riscos, saiba que pode dar certo assim como pode dar errado, que isso depende tanto de seu esforço pessoal como da competência da empresa de MMN e seus produtos. Aprenda a aterrisar antes de levantar vôo. Pesquise aqui na lista pois há muito material e ótimas rusgas anteriores relativas ao assunto.

Sugestão para quem já está no MMN? Continue enquanto achar que o retorno vale o esforço que você está despendendo. Sinceramente torço para você esfregar um checão de um milhão na minha cara. Até lá pense bem no que vai dizer. Mas se você não estiver evoluindo, caia fora antes que seu prejuízo aumente além do que você pode suportar. Eu caí fora a tempo de não me atolar mais e não me arrependo disso. Tenha amor próprio para saber que a culpa pode não ser toda sua.

Ufa, bati meu recorede de texto gigante.

Espero ter ajudado alguns. Sucesso e bons negócios.

Helder Barboza.

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