Como escrever um bom artigo

by Fabricio on October 10, 2005

Escrever um bom artigo é bem mais fácil do que a maioria das pessoas pensa. No meu caso, português foi sempre a minha pior matéria. Meu professor de português, o velho Sales, deve estar se revirando na cova. Êle que dizia que eu jamais seria lido por alguém. Portanto, se você sente que nunca poderá escrever, não desanime, eu sentia a mesma coisa na sua idade.

Escrever bem pode ser um dom para poetas e literatos, mas a maioria de nós está apta para escrever um simples artigo, um resumo, uma redação tosca das próprias idéias, sem mexer com literatura nem com grandes emoções humanas.

O segredo de um bom artigo não é talento, mas dedicação, persistência e manter-se ligado a algumas regras simples. Cada colunista tem os seus padrões, eu vou detalhar alguns dos meus e espero que sejam úteis para vocês também.

1. Eu sempre escrevo tendo uma nítida imagem da pessoa para quem eu estou escrevendo. Na maioria dos meus artigos para a Veja, por exemplo, eu normalmente imagino alguém com 16 anos de idade ou um pai de família. Alguns escritores e jornalistas escrevem pensando nos seus chefes, outros escrevem pensando num outro colunista que querem superar, alguns escrevem sem pensar em alguém especificamente.
A maioria escreve pensando em todo mundo, querendo explicar tudo a todos ao mesmo tempo, algo na minha opinião meio impossível. Ter uma imagem do leitor ajuda a lembrar que não dá para escrever para todos no mesmo artigo. Você vai ter que escolher o seu público alvo de cada vez, e escrever quantos artigos forem necessários para convencer todos os grupos.
O mundo está emburrecendo, porque a TV em massa e os grandes jornais não conseguem mais explicar quase nada, justamente porque escrevem para todo mundo ao mesmo tempo. E aí, nenhum das centenas de grupos que compõem a sociedade brasileira entende direito o que está acontecendo no país, ou o que está sendo proposto pelo articulista. Os poucos que entendem não saem plenamente convencidos ou o suficiente para mudar alguma coisa.

2. Há muitos escritores que escrevem para afagar os seus próprios egos e mostrar para o público quão inteligentes são. Se você for jovem, você é presa fácil para este estilo, porque todo jovem quer se incluir na sociedade. Mas não o faça pela erudição, que é sempre conhecimento de segunda mão. Escreva as suas experiências únicas, as suas pesquisas bem sucedidas, ou os erros que já cometeu.
Querer se mostrar é sempre uma tentação, nem eu consigo resistir de vez em quando de citar um Rousseau ou Karl Marx. Mas, tendo uma nítida imagem para quem você está escrevendo, ajuda a manter o bom senso e a humildade. Querer se exibir nem fica bem.

Resumindo, não caia nessa tentação, leitores odeiam ser chamados de burros. Leitores querem sair da leitura mais inteligentes do que antes, querem entender o que você quis dizer. Seu objetivo será deixar o seu leitor, no final da leitura, tão informado quanto você, pelo menos na questão apresentada.

Portanto, o objetivo de um artigo é convencer alguém de uma nova idéia, não convencer alguém da sua inteligência. Isto, o leitor irá decidir por si, dependendo de quão convincente você for.

3. Reescrevo cada artigo, em média, 40 vezes. Releio 40 vezes, seria a frase mais correta porque na maioria das vezes só mudo uma ou outra palavra, troco à ordem de um parágrafo ou elimino uma frase, processo que leva praticamente um mês. No fundo, meus artigos são mais esculpidos do que escritos. Quarenta vezes é desnecessário para quem escreve numa revista menos abrangente, 20 das minhas releituras são devido a Veja, com seu público heterogêneo onde não posso ofender ninguém.

Por exemplo, escrevi um artigo “Em terra de cego quem tem um olho é rei”. É uma análise sociológica do Brasil e tive de me preocupar com quem poderia se sentir ofendido com cada frase. Lula, apesar do artigo não ter nada a ver com ele, poderia achar que é uma crítica pessoal? Ou um leitor petista achar que é uma indireta contra este governo? Devo então mudar o título ou quem lê o artigo inteiro percebe que o recado é totalmente outro? Este é o tipo de problema que eu tenho, e espero que um dia você tenha também.

O meu primeiro rascunho é escrito quando tenho uma inspiração, que ocorre a qualquer momento, lendo uma idéia num livro, uma frase boba no jornal ou uma declaração infeliz de um ministro. Às vezes, eu tenho um bom título e nada mais para começar. Inspiração significa que você tem um bom início, o meio e dois bons argumentos. O fechamento vem depois.

Uma vez escrito o rascunho, ele fica de molho por algum tempo, uma semana, até um mês. O artigo tem de ficar de molho por algum tempo. Isto é muito importante. Escrever de véspera é escrever lixo na certa. Por isto, nossa imprensa vem piorando cada vez mais, e com a Internet nem de véspera se escreve mais. Internet de conteúdo é uma ficção. A não ser que tenha sido escrito pelo próprio protagonista da notícia, não um intermediário.

A segunda leitura só vem uma semana ou um mês depois e é sempre uma surpresa. Tem frases que nem você mais entende, tem parágrafos ridículos, mas que pelo jeito foi você mesmo que escreveu. Tem frases ditas com ódio, que agora soam exageradas e infantis, coisa de adolescente frustrado com o mundo. A única solução é sair apagando.

O artigo vai melhorando aos poucos com cada releitura, com o acréscimo de novas idéias, ou melhores maneiras de descrever uma idéia já escrita. Estas soluções e melhorias vão aparecendo no carro, no cinema ou na casa de um amigo. Por isto, os artigos andam comigo, no meu Palm Top, para estarem sempre à disposição.

Normalmente, nas primeiras releituras tiro excessos de emoção. Para que taxar alguém de neoliberal, só para denegri-lo? Por que dar uma alfinetada extra? É abuso do seu poder, embora muitos colunistas fazem destas alfinetadas a sua razão de escrever.
Vão existir neoliberais moderados entre os seus leitores e por que torná-los inimigos à toa? Vá com calma com suas afirmações preconceituosas, seu espaço não é uma tribuna de difamação.

4. Isto leva à regra mais importante de todas: você normalmente quer convencer alguém que tem uma convicção contrária à sua. Se você quer mudar o mundo você terá que começar convencendo os conservadores a mudar.

Dezenas de jornalistas e colunistas desperdiçam as suas vidas e a de milhares de árvores, ao serem tão sectários e ideológicos que acabam sendo lidos somente pelos já convertidos. Não vão acabar nem mudando o bairro, somente semeando ódio e cizânia.

Quando detecto a ideologia de um jornalista eu deixo de ler a sua coluna de imediato. Afinal, quero alguém imparcial noticiando os fatos, não o militante de um partido. Se for para ler ideologia, prefiro ir direto na fonte, seja Karl Marx ou Milton Friedman, pelo menos eles sabiam o que estavam escrevendo.

É muito mais fácil escrever para a sua galera cativa, sabendo que você vai receber aplausos a cada “Fora Governo” e “Fora FMI”. Mas resista à tentação, o mercado já está lotado deste tipo de escritor e jornalista. Economizaríamos milhares de árvores e tempo se graças a um artigo seu, o Governo ou o FMI mudassem de idéia.

5. Cada idéia tem de ser repetida duas ou mais vezes. Na primeira vez você explica de um jeito, na segunda você explica de outro. Muitas vezes, eu tento encaixar ainda uma terceira versão.

Nem todo mundo entende na primeira investida, a maioria fica confusa. A segunda explicação é uma nova tentativa e serve de reforço e validação para quem já entendeu da primeira vez.

Informação é redundância. Você tem que dar mais informação do que o estritamente necessário. Eu odeio aqueles mapas de sítio de amigo que quando você erra uma indicação você estará perdido para sempre. Imaginem uma instrução tipo: “se você passar o posto de gasolina, volte, porque você ultrapassou o nosso sítio”. Ou seja, repeti uma idéia mais ou menos quatro vezes no parágrafo acima, e mesmo assim muita gente ainda não vai saber o que quer dizer “redundância” e muitos nunca vão seguir este conselho.

Neste mesmo exemplo acima também misturei teoria e dois exemplos práticos. Teoria é que informação para ser transmitida precisa de alguma redundância, o posto de gasolina foi um exemplo. Não sei porque tanto intelectual teórico não consegue dar a nós, pobres mortais, um único exemplo do que ele está expondo. Eu me recuso a ler intelectual que só fica na teoria, suspeito sempre que ele vive numa redoma de vidro.

6. Se você quer convencer alguém de alguma coisa, o melhor é deixá-lo chegar à conclusão sozinho, em vez de você impor a sua. Se ele chegar à mesma conclusão, você terá um aliado, se você apresentar a sua conclusão, terá um desconfiado.

Então, o segredo é colocar os dados, formular a pergunta que o leitor deve responder, dar alguns argumentos importantes, e parar por aí. Se o leitor for esperto, ele fará o passo seguinte, chegará à terrível conclusão por si só, e se sentirá um gênio.

Se você fizer todo o trabalho sozinho, o gênio será você, mas você não mudará o mundo, e você perderá os aliados que quer ter.

Num artigo sobre erros graves de um famoso Ministro, fiquei na dúvida se deveria sugerir que ele fosse preso e nos pagar pelo prejuízo de 20 bilhões que causou, uma acusação que poderia até gerar um processo na justiça por difamação. Por isto, deixei a última frase de fora. Mostrei o artigo a um amigo economista antes de publicá- lo, e qual não foi a minha surpresa quando ele disse indignado: “um ministro desses deveria ser preso”. A última frase nem era necessária.

Portanto, não menospreze o seu leitor. Você não estará escrevendo para perfeitos idiotas e seus leitores vão achar seus artigos estimulantes. Vão achar que você os fez pensar.

7. O sétimo truque não é meu, aprendi num curso de redação. O professor exigia que escrevêssemos um texto de quatro páginas. Feita a tarefa, pedia que tudo fosse reescrito em duas páginas sem perder conteúdo. Parecia impossível, mas normalmente conseguíamos. Têm frases mais curtas, têm formas mais econômicas, tem muita lingüiça para retirar.

Em dois meses aprendemos a ser mais concisos, diretos, e achar soluções mais curtas. Depois, éramos obrigados a reescrever tudo aquilo novamente em uma única página, agora sim perdendo parte do conteúdo. Protesto geral, toda frase era preciosa, não dava para tirar absolutamente nada. Mas isto nos obrigava a determinar o que de fato era essencial ao argumento, e o que não era.

Graças a esse treino, a maioria das pessoas me acha extremamente inteligente, o que lamentavelmente não sou, fui um aluno médio a vida inteira. O que o pessoal se impressiona é com a quantidade de informação relevante que consigo colocar numa única página de artigo, e isto minha gente não é inteligência, é treino.
Portanto, mãos à obra. Boa sorte e mudem o mundo com suas pesquisas e observações fundamentadas, não com seus preconceitos.

Stephen Kanitz

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Viver de aluguéis

by Fabricio on October 10, 2005

O sonho de muito brasileiro é construir duas ou três casinhas e viver na velhice de aluguel.

Nos últimos 50 anos, a população brasileira cresceu de 50 para 176 milhões de brasileiros, exercendo assim enorme valorização nos preços de imóveis e terrenos para construção. Por isto, imóveis sempre foram nossa primeira opção de investimentos.

Só que nos próximos 50 anos, nossa população não vai mais crescer 300%, e sim uns pífios 28%, ainda bem. Isto significa, que a necessidade primária de novos imóveis será de menos do que 0,5% ao ano. Será que imóveis irão se valorizar como no passado? É óbvio que não.

Dez anos atrás, tomei uma das melhores decisões financeiras da minha vida. Vendi um apartamento de um dormitório que alugava, e coloquei os R$ 60.000,00 em ações de seis empresas diferentes, cotadas em Bolsa. Reduzi meu risco diversificando meu investimento, lição número um de uma aplicação prudente.

Minha primeira alegria foi descobrir que a corretagem em ações não chegava a 0,5% por transação, enquanto em imóveis o valor da corretagem chega até a 6%, mais SISA, mais CPMF, mais o custo do cartório e do advogado, o que pode elevar a brincadeira toda para 10%.

A segunda alegria foi perceber que enquanto meu inquilino me considerava seu algoz, as empresas me chamavam de sócio e de parceiro. Meu inquilino considerava o meu aluguel uma despesa a ser evitada e reduzida de tempos em tempos, já que o prédio envelhecia ano após ano. Por outro lado, as ações valorizavam-se com o tempo.

Enquanto meu apartamento ficava de três a quatro meses vazio entre um inquilino e outro, nas empresas meu dinheiro não ficava parado um minuto.

Nunca mais precisei pagar o primeiro aluguel para um corretor arrumar outro inquilino, nem foi preciso pintar o apartamento, nem consertar a porta trincada, o que consumia mais dois aluguéis por vez.

Enquanto meu apartamento desvalorizava 1% ao ano por obsolescência, as ações valorizavam-se no mínimo 4% ao ano, porque 75% dos lucros eram reinvestidos na empresa, financiando seu crescimento.

Hoje, graças às minhas ações da Embraer, tenho pessoas como Mauricio Botelho, eleito um dos 25 melhores executivos do mundo segundo a revista Fortune, trabalhando para mim. Por outro lado, meu inquilino vivia desempregado e atrasando o pagamento.

Prédios de apartamentos normalmente são construídos em terrenos já valorizados. É como comprar ações na alta e vender 30 anos depois na baixa, quando seu bairro já não está mais em moda ou está em franca decadência. Obviamente, há exceções.

A precaução que recomendo é nunca comprar ações no meio de uma alta, mesmo conselho que daria para quem ainda acredita em imóveis como investimento.

Culturalmente, o brasileiro acredita em imóveis por causa da inflação e das constantes manipulações dos índices de correção dos títulos públicos, além do fato de que “imóvel ninguém rouba”.

Mas empresas em Bolsa também são no fundo imóveis e também se protegem da inflação, e muito bem, e também ninguém rouba. Ficam custodiadas na própria Bolsa.

Ação tem liquidez diária, imóveis jamais são vendidos de imediato, levam meses. Por isto, os preços das ações variam diariamente e são publicados nos jornais. Os preços dos imóveis também variam diariamente, só que ninguém fica sabendo por causa da pouca liquidez.

Aí, jornalistas econômicos afirmam que a Bolsa é um mercado de elevado risco e volatilidade, o que é uma grande mentira. É volátil porque tem enorme liquidez. É muito mais arriscado ter que esperar até um ano para poder vender um imóvel.

Dos 6 a 8% do rendimento anual de aluguel, você precisa descontar o custo do corretor, do cartório, do administrador imobiliário, do alugador, do pintor, do advogado, dos atrasos, da inadimplência, dos aborrecimentos, da depreciação do imóvel, da manutenção obrigatória, do aumento do IPTU. Quem fizer os cálculos vai descobrir que no fim mal sobra 1% a 3% por ano. Uma miséria!

Quem nestes últimos 12 anos aplicou em ações triplicou seu investimento. Ter seu próprio imóvel é uma paz de espírito que recomendo a todos, mas tente vencer essa barreira cultural começando com R$ 5.000,00 aplicados numa ação bem escolhida para perceber que não só de aluguel vive um homem ou uma mulher aposentada.

Stephen Kanitz

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Como ficar rico no Brasil

by Fabricio on October 10, 2005

Por Stephen Kanitz

Inovação, criatividade e sofisticação têm sido apontadas como as principais qualidades para o sucesso empresarial em quase todos os livros de administração publicados pelo mundo afora. Em países onde todo consumidor já tem televisor, rádio, carro e computador, a única forma de fazer dinheiro é tornar obsoleto o produto que as pessoas têm em casa. Por isso, criam-se produtos cada vez mais luxuosos, sofisticados e, portanto, mais caros.

No Brasil, infelizmente ou felizmente, a maioria dos consumidores ainda não comprou o seu primeiro produto. Os brasileiros e, diga-se de passagem, 83% da população do mundo. A receita para o sucesso precisa ser outra.

A fórmula para se ficar rico no Brasil consiste em fazer produtos para quem nunca comprou um produto na vida. Consiste em criar produtos para brasileiros, o chamado produto popular, ou para os mercados de baixa renda, já que nossa renda não é a americana. Por isso, as regras são outras.

Nada de produto sofisticado que encareça o preço, ou opcionais complicados. A última coisa que alguém que nunca guiou quer é um carro que vá de 0 a 200 quilômetros por hora em um segundo. Nada que tenha um manual de 100 páginas, os produtos terão de ser simples e amigáveis.

Em 1993 propus esta estratégia num livro prevendo que, com a vinda do real, “o novo padrão industrial brasileiro será voltado às faixas de renda mais baixa da pirâmide econômica, ou seja, ao mercado de produtos populares”. “Nossa indústria precisa adequar sua produção ao nível de renda do país, e não vice-versa”. “Produtos menos sofisticados e mais condizentes com a nossa realidade. O carro popular a 12.000 reais no Brasil está longe de ser popular.” “Carro popular deveria ser uma lambreta ou uma bicicleta com motor.”

Pequenos empresários que se enveredaram por esse caminho saíram-se bem. Quem continuou na mesma tecla de produtos para a classe média amargou prejuízos e inadimplências. Um dos grandes problemas deste país é a nossa má distribuição da renda. Mas não é só a renda que é mal distribuída, a produção também o é. Praticamente 50% da população brasileira produz o que somente 10% consegue consumir. Por essa razão não temos escala, não temos competitividade internacional, não temos tecnologia.

A Fiat do Brasil, campeã em produzir carros populares, detém diversas patentes internacionais na área de motores de 1.000 cilindradas, algo que poucos brasileiros sabem. O que faz todo sentido enquanto americanos e alemães dominaram nos motores de 3.000 cilindradas e 5.000 cilindradas.

A Gessy Lever introduziu no Brasil um sabão em pó 50% mais barato, que demandou 42 modificações estruturais, muitas aprendidas por técnicos que pesquisaram por dois anos a Índia. Tentar competir mundo afora com produtos sofisticados é suicídio, por uma razão muito simples. Um trabalhador alemão da Mercedes, que vai ao trabalho com sua Mercedes usada, sempre fará um carro melhor que um trabalhador brasileiro que vai de ônibus da mesma marca. Hoje a qualidade total requer um nível de dedicação e esmero por parte do trabalhador que só será possível alcançar se este for capaz de comprar o produto que ele próprio fabrica. Parece uma frase de Karl Marx, mas é puro bom senso.

Uma aliança como a ALCA, dificilmente dará certo para o Brasil. Sempre seremos fornecedores de componentes e matérias- primas. Uma política industrial voltada para os mercados de baixa renda daria ao Brasil escala para exportar para outros países de baixa renda, como a Índia, a China, a Turquia, enfim, o resto do mundo. Que por sinal são os países que mais crescem. A globalização estaria a nosso favor e não contra, como agora.

Propus recentemente no Índia Economic Summit, da World Economic Forum, em vez da ALCA, o início de discussões de uma BRINDIA, Brasil e Índia. O Brasil exportando para a Índia produtos populares com marcas próprias, as que sabemos fazer melhor do que eles e vice- versa.

Essa política industrial infelizmente tem um defeito. Não é moderna, os livros traduzidos nem a comentam, é “made in Brazil”, “é um retrocesso” como criticou um economista brasileiro.

A tecnologia de produção e os materiais podem e precisam ser modernos, os produtos de fato não são. Mas não podemos esquecer que a economia americana originalmente também começou com produtos populares, os da época. Mania brasileira de querer queimar etapas a qualquer custo.

Stephen Kanitz é um administrador

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A aposentadoria sumiu

by Fabricio on October 10, 2005

Precisamos ensinar educação financeira para as crianças desde cedo. Coisa que o Kiyosaki, o Greenspan e vários outros dizem a muito tempo.

Cada um tem que saber que é responsável por seu custo de vida (e por sua manutenção quando fora do mercado de trabalho). Mas não apenas isso, cada um tem que saber como se preparar para isso. Aí é que entra a educação financeira.

Um bom livro que ensina isso e que poderia ser adotado como leitura em qualquer colégio é “O Homem mais Rico da Babilônia”. É um livro de 1926, mas extremamente atual. Acredito que já venceram os copyrights sobre ele, restando apenas o copyright da tradução para o português, que com certeza poderia ser refeita por voluntários. Eu seria um desses voluntários se o governo tivesse o mínimo de vontade para tal. Mas como sabemos, o governo se beneficia da ignorância do povo. Então me resta fazer o que posso, que é ensinar os que estão próximos a mim.

O livro tem uma linguagem extremamente simples, semelhante às parábolas da Bíblia. Essa é uma forma bastante consagrada de ensinar, porque as crianças lêem e sempre se lembrarão das histórias. A medida que vão crescendo, vão compreendendo detalhes das histórias que não entendiam quando leram pela primeira vez.

É fácil tomar as rédeas da situação mas ainda temos outro problema cultural. No Brasil (e em quase todos outros países) as pessoas acham que é obrigação do Estado cuidar delas na velhice. Não é. Não chega a ser um cada um por sí, afinal, pagamos impostos para que algumas coisas sejam feitas. Mas todos tem que se dar conta que precisamos planejar nosso futuro. Isso pode parecer difícil para um gurizão que cresceu com todas as mordomias e quer mais é gastar tudo o que ganha na juventude com festas e diversão. E pode parecer difícil para quem não teve a mesma sorte e tem que trabalhar desde cedo para ajudar a sustentar a família. Mas ambos estão no mesmo barco. Ambos podem ter um futuro seguro e garantido se planejarem desde cedo.

Para os que preferem uma leitura mais atual, o livro “Você Milionário” é basicamente uma releitura do “O Homem Mais Rico da Babilônia”. Dá as informações necessárias para não nos preocuparmos com o futuro. Mas não adianta apenas ler. Tem que colocar em prática.

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Como escolher sua empresa de Marketing de Rede

by Fabricio on October 10, 2005

A idéia de usar o marketing de rede como um meio de produzir uma renda extra e atingir a liberdade financeira tem criado uma tempestade nos Estados Unidos! Mais e mais pessoas do norte ao sul e do leste a Oeste estão pesquisando essa indústria em busca duma empresa de vencedores.

O problema é que, as empresas de marketing de rede estão brotando por tudo que é lado, e já existe muito delas com um número de associados que atingiu resultados razoáveis. Escolher a melhor ou as melhores empresas para se ligar, é uma tarefa frustante e consome muito tempo.

Antes de se “pendurar” em qualquer empresa de marketing de rede, nós aconselhamos a observar os ítens abaixo.

Pesquise cuidadosamente a idoneidade dos dirigentes da companhia, para ver que tipo de pessoas eles são. O presidente já esteve envolvido em alguma fraude? É mais comum do que voce imagina.

Cuidado com companhias que cobram demais pelo treinamento. Elas não deviam lucrar com isso.

Sua companhia permite noticiar na internet, ou ela é um dinossauro?

Há quanto tempo a companhia vem trabalhando com Marketing de Rede? Muitas companhias falham nos 2 primeiros anos.

Procure uma companhia que esteja sem dívidas.

Ouça alguns peritos sobre a companhia antes de se unir a ela.

Cuidado com as companhias com grande diferença entre BV e PREÇO.

Pesquise a concorrência antes e depois de se unir à companhia.

Encontre uma companhia que não o force comprar produtos. As pessoas devem comprar porque querem os produtos.

O produto é algo que pode se tornar obsoleto?

Seu produto é consumível ou só vende uma vez?

Você tem que fazer entrega de produtos?

Os produtos são mutio caros? Você não pode justificar produtos superfaturados com base no potencial de ganhos.

Se você tem que estocar produtos, a companhia é um dinossauro.

Tem que pagar a conta por devolução de produtos?

Ache uma linha de produtos que realmente goste e sobre os quais falaria aos amigos, mesmo que não houvesse nenhuma vantagem.

Cuidado com as projeções nebulosas dos planos. Faça um cálculo na ponta do lápis.
Seus novos distribuidores lucrarão logo? Se eles não puderem fazer parte do lucro, rapidamente cairão fora.

Seu kit de inicio não deve custar mais do que seu valor intrinseco.

Se alguém diz para olhar os benefícios, como justificativa do valor de sua assinatura… pergunte lhe se a companhia noticia em TV, como a MCDonalds faz para seus franqueados.

Ache um bom upline antes de se juntar a companhia.

Ache um upline que seja flexível e não insista em fazer tudo a seu modo.

Tome cuidado com planos de compensação binária. Frequentemente, depois da explosão inicial, eles fracassam.

Faça seu dever de casa.

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Pequenas coisas

by Fabricio on October 10, 2005

Um fósforo, uma bala de menta, uma xícara de café e um jornal: Estes quatro elementos fazem parte de uma das melhores histórias sobre atendimento que conhecemos.

Um homem estava dirigindo há horas e, cansado da estrada, resolveu procurar um hotel ou uma pousada para descansar. Em poucos minutos, avistou um letreiro luminoso com o nome: Hotel Venetia.

Quando chegou à recepção, o hall do hotel estava iluminado com luz suave. Atrás do balcão, uma moça de rosto alegre o saudou amavelmente: “- Bem-vindo ao Venetia!”.

Três minutos após essa saudação, o hóspede já se encontrava confortavelmente instalado no seu quarto e impressionado com os procedimentos: tudo muito rápido e prático.

No quarto, uma discreta opulência; uma cama, impecavelmente limpa, uma lareira, um fósforo apropriado em posição perfeitamente alinhada sobre a lareira, para ser riscado. Era demais! Aquele homem, que queria um quarto apenas para passar a noite, começou a pensar que estava com sorte.

Mudou de roupa para o jantar (a moça da recepção fizera o pedido no momento do registro). A refeição foi tão deliciosa, como tudo o que tinha experimentado, naquele local, até então. Assinou a conta e retornou para o quarto. Fazia frio e ele estava ansioso pelo fogo da lareira.

Qual não foi a sua surpresa! Alguém havia se antecipado a ele, pois havia um lindo fogo crepitante na lareira. A cama estava preparada, os travesseiros arrumados e uma bala de menta sobre cada um. Que noite agradável aquela!

Na manhã seguinte, o hóspede acordou com um estranho borbulhar, vindo do banheiro. Saiu da cama para investigar. Simplesmente, uma cafeteira ligada por um timer automático estava preparando o seu café e junto um cartão que dizia: “Sua marca predileta de café. Bom apetite!” Era mesmo! Como eles podiam saber desse detalhe?

De repente, lembrou-se: no jantar perguntaram qual a sua marca preferida de café.

Em seguida, ele ouve um leve toque na porta. Ao abrir, havia um jornal.

“Mas, como pode?! É o meu jornal! Como eles adivinharam?”

Mais uma vez, lembrou-se de quando se registrou: a recepcionista havia perguntado qual jornal ele preferia.

O cliente deixou o hotel encantando. Feliz pela sorte de ter ficado num lugar tão acolhedor. Mas, o que esse hotel fizera mesmo de especial?

Apenas ofereceram um fósforo, uma bala de menta, uma xícara de café e um jornal.

Nunca se falou tanto na relação empresa-cliente como nos dias de hoje.

Milhões são gastos em planos mirabolantes de marketing e, no entanto, o cliente está cada vez mais insatisfeito, mais desconfiado. Mudamos o layout das lojas, pintamos as prateleiras, trocamos as embalagens, mas esquecemo-nos das pessoas.

O valor das pequenas coisas conta, e muito. A valorização do relacionamento com o cliente. Fazer com que ele perceba que é um parceiro importante!

Isto vale também para nossas relações pessoais (namoro, amizade, família, casamento), enfim, pensar no outro como ser humano é sempre uma satisfação para quem doa e para quem recebe. Seremos muito mais felizes, pois a verdadeira felicidade está nos gestos mais simples de nosso dia-a-dia, mas, na maioria das vezes, passamos despercebidos.

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